Porta do Céu

Porta do céu - China
“Mas eis a hora de partir: eu para a morte, vós para a vida. Quem de nós segue o melhor rumo, ninguém o sabe, exceto os deuses.” Sócrates 


Platão criou o conceito de Anima mundi, o princípio do cosmos e fonte de todas as almas individuais. O termo é um conceito cosmológico de uma alma compartilhada ou força regente do universo, pela qual o pensamento divino pode manifestar-se em leis que afetam a matéria. 

Para Aristóteles, a natureza essencial de Deus, concebido, antes de tudo, como ato puro, e, como pensamento de si mesmo, é unicamente pensamento, atividade teorética. Se o agir, o querer têm objeto diverso do sujeito agente e "querente", Deus não pode agir e querer, mas unicamente conhecer e pensar, conhecer a si próprio e pensar em si mesmo. Deus é, portanto, pensamento de pensamento, pensamento de si, que é pensamento puro. E nesta autocontemplação, imutável e ativa, está a beatitude divina. 

Deus está morto 
O Homem Louco – […] Não ouvimos o barulho dos coveiros a enterrar Deus? Não sentimos o cheiro da putrefação divina? – também os deuses apodrecem! Deus está morto! Deus continua morto! E nós o matamos! Como nos consolar, a nós assassinos entre os assassinos? O mais forte e mais sagrado que o mundo até então possuíra sangrou inteiro sob os nossos punhais – quem nos limpará este sangue? Com que água poderíamos nos lavar? Que ritos expiatórios, que jogos sagrados teremos de inventar? A grandeza desse ato não é demasiado grande para nós? Não deveríamos nós mesmo nos tornar deuses, para ao menos parecer dignos dele? Nunca houve um ato maior – e quem vier depois de nós pertencerá, por causa desse ato, a uma história mais elevada que toda a história até então” – Nietzsche, Gaia Ciência, §125 

As reflexões acerca de Deus, do Divino, do Sentido da Vida e do próprio Homem, enquanto ser pensante e membro de uma comunidade, são comuns a todos os filósofos ateus, agnósticos ou crentes.
A busca do entendimento da Vida e de todas as dualidades, tensões, crenças ou ideais, que dela fazem parte, é intemporal e própria do homem.
O seu mais caro ideal é, talvez, o de alcançar a Felicidade. Mas, na verdade, o que é a felicidade? Como alcançá-la, como mantê-la, se a insatisfação é a característica mais intrínseca e profunda do Homem?
E, é essa insatisfação que, no seu reverso, lhe permite evoluir, crescer e transcender-se, numa busca constante por saber mais, conhecer mais, entender mais, fazer mais, tornar-se mais sábio e alcançar a felicidade e o conhecimento total, num incessante eterno retorno.
Buscamos, pois, a porta do céu, um local divino, onde a luz do conhecimento absoluto nos levará, por fim, à Felicidade total.


Mas o céu não é um lugar, contudo, para lá chegar é preciso fazer um caminho, íngreme, cheio de desvios, de impasses ou abismos. A porta, que raras vezes vislumbramos, é pouco acessível e parece ter essa capacidade única de mudar de "lugar" inesperada e continuamente.
Na verdade, todos os homens procuram o seu céu, algo que os transcenda, lhes dê paz e felicidade,  lhes dê, afinal, um sentido para a Vida.
Estará a porta do céu ao nosso alcance? Ou não passa de uma quimera, em que gostamos de acreditar, porque nos dá esperança e coragem?
A porta do céu, a existir, não terá chave, nem tranca, nem aldraba, nem tramela. Profundamente imaterial, provavelmente só será alcançável quando nos libertamos de todos os anseio, desejos, preocupações e sonhos terrenos.
E, nem a morte nos possibilitará alcançá-la, se morrermos zangados, revoltados ou cheios de ódio no coração.
Só a alma sabe o caminho que leva à porta do céu, mas para  lá chegar terá que ir leve, livre, sem prisões ou correntes.

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