Atualidade - Amor e Viagens

Celebrando o Amor - Viajando pelas lindas terras da Ibéria Portugal / Espanha

segunda-feira, setembro 05, 2011Teresa Varela


Estou de volta depois de um fim de semana prolongado.

Sexta-feira, de manhã, partimos os cinco, eu, o meu marido e os três filhos (dois na faculdade e uma à procura do primeiro emprego). O stress da partida; as malas; os afinal ainda não está tudo pronto?.
Tudo acomodado dentro do carro, levámos um carro diferente, com menos espaço no banco de trás, e eles iam mais apertados e pouco cómodos, além de que o meu filho Vasco, que  mede 1,92m, tem sempre alguma dificuldade em se acomodar nos automóveis.
Lá seguimos entre refilices e lamentos de que iam apertados e todos tortos. Esperavam-nos perto de 6 horas de viagem. 
Ao fim de algum tempo, parámos numa Área de Serviço para tomar café e esticar as pernas, depois fizemo-nos ao caminho até Constância.

Constância é uma linda vila histórica, do distrito de Santarém, banhada pelo Zêzere / Tejo, que foi chamada Punhete até 1836. É vila desde que D. Sebastião lhe concedeu essa dignidade e criou o concelho em 1571.
Situada no ponto onde o Zêzere desagua no Tejo, sempre foi um lugar muito importante do ponto de vista da estratégia militar.

Testemunhos disso são a fortificação que existiu até ao início do século passado junto à confluência, no sítio a que ainda agora se chama Torre, ou as conhecidas dificuldades do exército de Junot, durante a primeira invasão francesa, em 1807, para atravessar a impetuosa corrente do Zêzere.
Constância organizou-se em função da colina e do aproveitamento económico dos rios, vivendo durante séculos do transporte fluvial – quando o Tejo era a principal via de comunicação entre o interior e Lisboa..
Saber mais em:


Constância - Quadro do pintor José Estrela - José Henrique Martins Fereira mais conhecido por José Estrela, «sou autodidata, nasci em Angola, filho de pais Portugueses, em 12 de Novembro de 1955, em Santa Comba, distrito de Quanza Sul.»  Vive atualmente Cartaxo, Rio Maior.
Almoçámos em Constância, onde fizemos um pic-nic, no parque das merendas, à beira-rio. Éramos só nós, o rio, correndo veloz, as árvores, entre as quais salgueiros que choram as suas desditas sobre o rio, os pássaros e os insetos que têm o desagradável costume de importunar os apreciadores de pic-nics. 

Parque das merendas à beira-rio
A certa altura, apareceu uma velhota, vestida de forma quase típica, com o tradicional lenço na cabeça. Disse-nos boa-tarde e sentou-se à nossa mesa, com aquele à-vontade que só as crianças e os idosos têm. Depois cantou para nós modas locais, aprendidas ou inventadas. O seu olhar era entre o lúcido e o ausente. A sua aproximação ao nosso grupo falava-nos da solidão dos idosos.
Assim, tivemos direito a um almoço, no meio da natureza, com acompanhamento musical.

Interior da Igreja Matriz de Constância

Vale a pena visitar Constância. É uma vila bonita, com séculos de história. 
Constância - Festas da Nossa Senhora da Boa Viagem
Constância
Na parede da casa mais alta, da sua pequena praça, podemos observar as placas que marcam a altura atingida pela água, nas três últimas grandes cheias ocorridas na região.

 Aqui, também, se come bem, particularmente os pratos confecionados com peixes de rio, como o Sável ou a Lampreia.
Castelo
Partimos novamente, com pena de não termos tempo para calcorrear as ruas antigas, daquela simpática vila.
Agora o esticão era maior, de Constância a Valladolid, apenas com uma pequena paragem,  na área de serviço do Fundão, para tomar café, nos juntarmos a parte da família que seguia noutro carro e despejar a minha filha para o carro deles, o que provocou nos outros dois, que agora já se podiam esticar à vontade, suspiros de satisfação.
Quilómetros e quilómetros daquela língua preta serpenteante, percorridos tão rapidamente quanto os limites de velocidade nos permitem (bem, quase dentro dos limites). O S. Pedro não estava bem-disposto e o sol fez-nos algumas caretas, as nuvens teimavam em tentar obscurecer o glorioso brilho do astro-rei. 
Hotel El Montico
Por fim, lá chegámos ao Hotel,
Tordesillas - Plaza Mayor
o qual se localiza a cerca de 20km de Valladolid e 3km de Tordesillas. Este pequeno município castelhano tornou-se célebre em virtude do Tratado do mesmo nome, realizado em 7 de Junho de 1494, celebrado entre o Reino de Portugal e o recém-formado Reino da Espanha, para dividir as terras "descobertas e por descobrir", por ambas as Coroas, fora da Europa. Este tratado surgiu na sequência da contestação portuguesa às pretensões da Coroa espanhola, resultantes da viagem de Cristóvão Colombo, que ano e meio antes chegara ao chamado Novo Mundo, reclamando-o oficialmente para Isabel, a Católica.
Entre o check in, o desfazer das malas e um curto descanso, fez-se hora de jantar. Juntou-se um pequeno grupo, apenas 27, e lá seguimos para Tordesillas para jantar num pequeno Restaurante na Plaza Mayor (não há terra que se preze, em toda a Espanha, que não tenha uma Plaza Mayor. Local de encontro, onde habitualmente podemos encontrar restaurantes, cafés e lojas e onde, noutros tempos, se localizavam alguns dos principais organismos oficiais do reino.
Sábado era, e foi, o grande dia. Os penteados, as maquiagens, os vestidos, os belos mancebos (os meus filhos) envergando os seus primeiros fatos de cerimónia. Enfim, o stress, os risos e a antecipação da festa. 
Um casamento/boda Ibérico.  O noivo, sobrinho do meu marido, Biólogo, português, a noiva, Médica, espanhola, e nós todos, portugueses e espanhóis, reunidos para celebrar e testemunhar o Amor, como verdadeiros representantes destes dois povos irmãos/hermanos.
Jardins do Hotel El Montico
O casamento realizou-se da parte da tarde,  ao ar livre, nos bonitos jardins do hotel. Foi um casamento civil, mas teve leituras feitas por vários familiares. Foi emocionante e tocante. Leram-se poesias, a Carta de S. Paulo aos Corintíos (talvez a mais singular e perfeita descrição daquilo que é, ou deve ser, o amor) e textos feitos pelos oradores. 


Quando foi a vez da irmã do noivo, todos ficámos com a lágrima ao canto do olho, ela falou do Sim, daquele sim que é necessário dizer para que existam famílias. Daquele sim, que os nossos avós e os nossos pais disseram, que nos permitiu estar ali, para testemunharmos mais um sim, mais uma prova de amor e também de fé. Fé no próprio amor, fé no outro, com quem se assume querer partilhar uma vida.
Depois, depois foram as fotos (imprescindíveis), as entradas, o banquete (almoço/lanche/jantar) foi às cinco da tarde, não sei bem como lhe chamar. 
Salão de casamentos
 Neste casamento, os noivos deram  lembranças muito especiais aos convidados, em vez de pequenas peças regionais ou outros artefactos semelhantes, alegóricos à data, recebemos destes noivos, tão especiais e que me são tão queridos, esta tão significativa lembrança:
E,depois, a dança e dançou-se até às cinco da manhã (os mais corajosos ou mais bem regados).
Domingo, dia do regresso. É sempre um pouco triste partir. 
Ciudad Rodrigo
Fomos almoçar a Ciudad Rodrigo.
Catedral da Ciudad Rodrigo
É uma bonita e histórica cidade espanhola que vale a pena visitar. Queríamos mostrá-la aos miúdos, que ainda a não conheciam, e aos nossos cunhados que partiram ao mesmo tempo que nós.

Ao passar a fronteira, com muita pena nossa, já não foi possível visitar, mais uma das preciosidade do nosso querido país, Almeida.
Almeida e a sua Estrela

Vila e sede de concelho, Almeida tem uma gloriosa história. O nome da antiga “cabeça militar de toda a província da Beira”, de origem árabe, filia-se na situação planáltica que tem. Terá tido o nome de Talmeida e de Alameda. Talmeida ficaria no lugar conhecido por Enchido da Sarça.
Com o seu perímetro abaluartado em forma de estrela, de doze pontas, Almeida era a mais importante praça-forte da fronteira entre o Tejo e o Douro, guardando as terras de Riba-Côa entre Vilar Formoso e Castelo Rodrigo. Fortaleza praticamente inexpugnável até há um século, desempenhou importante papel em várias épocas da história de Portugal, nomeadamente durante a crise de 1383-85, as guerras da Restauração e as invasões francesas. O destaque maior vai para Junho de 1663, quando do cerco castelhano comandado pelo duque de Osuna, de tal ordem que o feito se encontra inscrito no obelisco da Praça dos Restauradores, em Lisboa. Também no Arco do Triunfo, em Paris, o nome de Almeida está gravado.
Entrada do Forte
Visitar Almeida é quase "obrigatório" para qualquer português, ela é única e maravilhosa no seu estilo. Nela se fez história. Nela, por ela e por Portugal lutaram e morreram valentes portugueses.
Interior das Casamatas
O estado de conservação dos seus monumentos é de louvar e toda a fortaleza é, ela própria, um monumento à capacidade inventiva, defensiva e arquitetural dos portugueses.
Casamatas
Diz-se que as fotografias valem por mil palavras, mas, visitar Almeida é muito mais do que ouvir ou ler mil palavras. É conhecer um local que nos faz viajar no tempo, que nos faz sentir, quase cheirar outras eras, outras lutas, outras crises e outras vitórias do nosso querido Portugal.
Tribunal de Almeida


Saiba mais em:
Sempre que puder viaje, viaje por todo o lado e viaje por este maravilhoso país que é o nosso, sempre cheio de surpresas, paisagens maravilhosas, contrastes, de região para região, de povoação para povoação, e gentes de coração grande e sorriso largo, sempre disponíveis para receber os seus visitantes, como amigos que não se avistam há muito.
E, já agora, aproveite, para namorar (mesmo que já tenha um casamento de mais de 30 anos), aproveite para celebrar o Amor. Pois que, como dizia São Paulo, nada do que fazemos, por mais extraordinário, maravilhoso ou altruísta que seja, tem sentido, se não for feito com Amor.
Amor (Carta de São Paulo Apóstolo aos Coríntios) 
Rembrandt Harmenszoon van Rijn (Leida, 15 de julho de 1606 — Amsterdam,4 de outubro de 1669) foi um pintor e gravador neerlandês. É geralmente considerado um dos maiores nomes da história da arte européia e o mais importante da história neerlandesa.. É considerado, por alguns, como o maior pintor de todos os tempos. 
E, se não puder viajar no espaço, viaje nas minhas pequenas (nem tanto) crónicas, na internet, na TV, nos livros, nos artigos das revistas. Também, essas viagens nos deixam boas recordações, nos fazem viajar no tempo, olhar o belo, o interessante, sentir os outros e o Amor.

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1 comentários

  1. Sabes uma coisa, amiga?
    Não sabes mas eu digo-te: hoje até consegui ler-te até ao fim!
    Foi realmente uma viagem interessante, um casamento, (que espero tenha uma vida feliz)comovente, enfim um belo fim de semana. Foi optimo tudo ter corrido bem.
    Um beijo da
    Maga
    (o Vasco está com esse tamanho todo? Meu Deus, quem diria!)

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