Corações magoados

Já não somos ingénuos,
Já vimos de tudo,
Já tudo conhecemos.
As gentes não nos iludem.

Somos astutos.
Dos elogios desconfiamos.
Das palavras afáveis suspeitamos,
Dos gestos agradáveis duvidamos.

Mas não nos iludamos,
Não importa que idade temos,
Nem quão sábios, ou sabidos, nos julguemos.
Não importa quantos desenganos sofremos,
Nem quão descrentes nos tornemos.
Quando menos esperamos,
Novamente, sofremos desenganos.
Novamente, nos magoamos.

Voltamos a acreditar.
Amizade ou amor voltamos a dar,
Para quê? Para alguém nos magoar,
De forma consciente e contundente
Nos rejeitar, abandonar ou ignorar .
Palavras duras e frias saem das bocas
Que ousámos amar.
Gestos secos.
Ações humilhantes, gratuitas e conscientes,
Com intenção de nos derrubar.
 
Então sentimo-nos tolos,
Crianças grandes,
Apanhadas a sonhar.
Recordamos o passado
E todos que, algum dia,
Tentaram nos magoar.

Mas eu, tenho para mim,
Que gente que nos magoa assim,
De forma consciente, inconsequente
E gratuitamente,

Só pode estar muito doente.
Não tem que ser fisicamente.
Mas, espiritualmente,
Mas, na sua pobre mente.

Então há que perdoar,
Tentar esquecer
E aligeirar.


Pois do amor ou amizade
Que damos
Nunca nos devemos arrepender.
É isso que faz de nós grandes.
É isso que faz de nós gente.

Ingénuos?  Talvez.
Mas puros, fortes e genuínos
Na nossa forma de ser,
Na nossa capacidade de dar,
Na integridade do nosso pensar.


Dedicado a todos que já foram, um dia, magoados e a todos aqueles que, por se sentirem sós, tristes,   mal-amados, injustiçados ou não gostarem de si próprios, sentem essa necessidade de magoar os outros, como se estes fossem os culpados.

Abreijos

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