Espiritualidade e Saúde

Suave e languidamente

sexta-feira, setembro 16, 2011Teresa Varela

The Grand Odalisque
Jean-Auguste Dominique Ingres (29 de Agosto de 1780, Montauban – 14 de Janeiro de 1867, Paris), mais conhecido simplesmente por Ingres, foi um celebrado pintor e desenhista francês, atuando na passagem do Neoclassicismo para o Romantismo. Foi um discípulo de David e em sua carreira encontrou grandes sucessos e grandes fracassos, mas é considerado hoje um dos mais importantes nomes da pintura do século XIX.

Há alguns anos atrás, fiz diversos cursos de Terapias Orientais, ou alternativas, como muitos lhe chamam. Um deles foi o de Podo-Reflexologia. 
Esta terapia  assenta no princípio de que a estrutura do corpo humano e de todos os seus órgãos se reflecte nos pés e é por eles representada,   afirmando que o pé é como que um mapa do resto do corpo. 


Massajando os pontos exactos que se relacionam com órgãos e/ou partes especificas do corpo, podemos corrigir desequilíbrios no nosso sistema, aliviar focos de tensão e restabelecer a harmonia energética do corpo como um todo.


A nossa turma era relativamente pequena, apenas 10 alunas. Éramos um grupo bastante heterogéneo, quer ao nível das idades, quer ao nível académico ou profissional. No entanto, para além de termos em comum o facto de sermos todas mulheres, tínhamos, também, a coisa mais importante, a vontade e o espírito de querer aprender coisas novas, de nos harmonizarmos interior e exteriormente, de procurar um caminho novo mais gratificante e menos materialista.
A nossa Mestre, a Prof. Leonor, era uma senhora sexagenária, de rara beleza, sem marcas da idade, que, mais do que andar, parecia pairar, movendo-se harmoniosa e languidamente, a sua voz era doce, porém firme, e sempre calma.
Por mais sério que o assunto fosse, a Prof. Leonor mantinha sempre um permanente e misterioso sorriso no seu olhar, como se soubesse um segredo muito bom, que só ela conhecia. Talvez, poderíamos pensar,  ela fosse uma deusa do Amor que nós desconhecíamos.
Todo o ambiente era de espiritualidade, mas não uma espiritualidade assética  e pálida. Talvez se possa definir melhor como uma espiritualidade sensual


Venus and Cupid, 1508. An early nude, with Italian influence, and that of Düre
Lucas Cranach der Ältere, (1472 - Kronach - Weimar  16 de outubro de 1553 ) foi um pintor Germânico renascentista . Foi pintor da corte dos Eleitores da Saxónia durante a maior parte de sua carreira. É mais conhecido pelos seus retratos, tanto de Príncipes Alemães, como de Líderes da Reforma Protestante, cuja Causa abraçou com entusiasmo, tornando-se amigo de Martinho Lutero. Pintou temas religiosos, primeiro de tradição Católica, depois buscando novas formas de transferir para uma arte com referências religiosas luteranas. Durante toda carreira pintou nus baseados na Mitologia e religião.
As nossas aulas tinham sempre uma parte teórica e outra prática. Mas, antes de iniciarmos a aula ou, melhor dizendo, as aulas iniciavam-se sempre com ginástica de relaxamento.
Normalmente, posicionávamo-nos em círculo, depois corríamos, mas não de uma maneira qualquer, com graciosidade, suavidade e elegância, sem gestos bruscos ou agressivos, de uma forma lânguida, quase sensual. 

Em seguida fazíamos alongamentos, acompanhados de respiração relaxante e impulsionadora de energia, terminávamos, sempre, abraçando-nos umas às outras.
A Prof. Leonor dizia que se estávamos bonitas interiormente, ficávamos mais bonitas exteriormente, se a nossa energia era positiva, também a energia que nos rodeava tenderia a ser positiva, pois tenderia a harmonizar-se com a nossa.
Segundo a Prof. Leonor, um terapeuta só pode fazer um bom trabalho e ajudar verdadeiramente um paciente, se não estiver cansado, se estiver bem consigo próprio e com o mundo que o rodeia, se a sua energia for positiva e se amar o paciente, isto é, se desejar a sua cura e se estabelecer uma amizade fraternal com ele.
As nossas aulas eram aos sábados, das 9h às 18h, portanto, normalmente, da parte da manhã tínhamos a aula teórica, mas, antes fazíamos, sempre, 5 a 10 minutos de meditação. Relaxamento físico e espiritual, pois o sentirmo-nos bem promove a aprendizagem.
Por volta da 1h era a altura de um espetacular almoço vegetariano, preparado na cozinha da Escola (a Prof. Leonor dava, também, aulas de cozinha vegetariana e ensinou a cozinheira a confecionar esse tipo de alimentação).   
Não consigo transmitir o sabor e o odor daqueles maravilhosos pratos, é preciso experimentá-los. Até hoje, nunca encontrei nenhum restaurante vegetariano que sirva com a mesma qualidade, variedade e sabor. Esses eram momentos de gargalhadas, confidências e todo o tipo de conversas. Entre nós alunas e, também, a professora, tinha-se estabelecido uma união, uma amizade, só possível de conseguir, em tão pouco tempo, em virtude da intensidade dos momentos vividos.
Em seguida, começava a aula prática. Primeiramente, colocávamos os pés em água quente, com sal e folhas e óleo de eucalipto e, só depois, passávamos para as marquesas, onde, à vez, praticávamos umas nas outras.
Num ambiente de luzes suaves e com música relaxante, começávamos por fazer uma massagem de relaxamento, total, ao paciente, transferindo para ele, simultaneamente, energias positivas. 

Finalmente, chegávamos aos pés. Mas não pensem que esta é uma terapia indolor. Quanto mais enfraquecidos ou doentes estivermos espiritualmente ou fisicamente, maior sensação de dor teremos, nos pontos correspondentes aos órgãos afetados.

Quando não estamos bem espiritual, emocional ou psicologicamente, esse mau estar reflete-se na nossa saúde física. Aliás, este não é um conceito exclusivo da medicina ou terapias orientais, a medicina, dita convencional, também, reconhece as doenças psicossomáticas, como sendo causadas pelos distúrbios emocionais e psicológicos dos pacientes.
No final, depois de alguns minutos em silêncio e de imobilidade total, erguíamo-nos das marquesas, renovadas, frescas e leves e terapeuta e paciente abraçavam-se.
Durante estas sessões, que duram, normalmente, pelo menos uma hora, existem pessoas que choram, recordam o passado, ou falam nos momentos difíceis que estão a atravessar. O terapeuta tem que ser, também, um pouco psicólogo, mas, acima de tudo, tem que gostar do trabalho que faz, dos pacientes que o procuram e ser, além disso, idóneo, mantendo em confidencialidade absoluta, todas revelações que o paciente lhe faz.
Por vezes, alguns pacientes queixam-se que sentiram alguns distúrbios gastrointestinais, tiveram pesadelos ou acordaram a chorar.  Essa é uma forma do corpo se tentar libertar dos males que o afligem, a qual é propiciada pela Podo-Reflexologia.
A suavidade, a firmeza, a elegância, a harmonia, o tom suave da voz, os movimentos sinuosos, tudo isso nos ajuda a manter harmonioso, saudável, enérgico, e, também sensual, o nosso corpo, a nossa mente e o nosso espírito.

Espiritualidade não é abstinência, não é privar-se dos prazeres da vida, não é tristeza, não é clausura. É antes auto-controlo, bom senso, elegância, harmonia, delicadeza, generosidade, calma, tolerância, dádiva, alegria e amor.


Alegria de viver
Henri-Émile-Benoît Matisse (Le Cateau-Cambrésis, 31 de dezembro de 1869 — Cimiez, 3 de novembro de 1954) foi um artista francês, conhecido por seu uso da cor e sua arte de desenhar fluida e original. Foi um desenhista, gravurista e escultor, mas é principalmente conhecido como um pintor. Matisse é considerado, juntamente com Picasso e Marcel Duchamp, como um dos três artistas seminais do século XX, responsável por uma evolução significativa na pintura e na escultura. Embora fosse inicialmente rotulado de fauvista (besta selvagem), na década de 1920, ele foi cada vez mais aclamado como um defensor da tradição clássica na pintura francesa. Seu domínio da linguagem expressiva da cor e do desenho, exibido em um conjunto de obras ao longo de mais de meio século, valeram-lhe o reconhecimento como uma figura de liderança na arte moderna.
EAN

Abreijos


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1 comentários

  1. Ah Té, que peninha que só há um Atlântico a nos separar...rsrs Adoro massagens, de todos os tipos. É bem verdade que ao 1º toque se não gosto da energia recebida pulo da maca (aí fala-se é marquesa? Aqui é título de nobreza...Marquesa de Santos rsrs), da cadeira, agradeço e vou embora. Que bacana essa formação (mais uma hein?)sua! Quanta troca, aprendizagem e partilha.Muito bom mesmo! Ainda teremos essa oportunidade de dar e receber...não tenho dúvidas. Tenho, por conta da dor, evitado muito tempo no PC e digitar. Essas primeiras sessões de fisioterapia fazem doer mais, se é que isso seja possível. Mas, vamos que vamos...né?
    Um fds lânguido, amada, e suave.
    Beijuuss n.a.

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