Vida

UM DOMINGO DE SOL

segunda-feira, setembro 19, 2011Teresa Varela

Neste Domingo dormi. Dormi como já não dormia há muito tempo, acordei à 1h da tarde. Doía-me a cabeça, mas tudo o resto parecia estar no lugar certo.
Foi como se tivesse despertado de um longo sono, cheio de imagens confusas, de um inconsciente atormentado, tentando transmitir mensagens ao  meu pobre consciente que, desgastado por noites pouco dormidas, não as conseguia interpretar.
Foi um sono longo, de uma insignificante crisálida sofrendo as dores e confusões da sua metamorfose.
E eis que acordo borboleta, alongo as asas sedosas, ensaio um pequeno voo.  Maravilhada, pairo em cada flor, e inebriada, atraída, apaixonada, busco a  luz, a cor e o sol.
Assim, calma e sequiosa de sol e mar, fomos, eu e o meu Pedro, petiscar à Costa da Caparica, num dos seus bares / restaurantes, junto ao mar.
O dia estava ventoso, mas quente. Eram poucos os destemidos que se encontravam na praia, mesmo assim, a maioria estava vestida.
Sentados na explanada, observávamos tudo o que nos rodeava. O mar exaltado, pleno de reflexos de prata; O barco, aparentemente, imóvel, bem na linha do horizonte.
E, junto ao paredão, o vaivém de gente aproveitando o sol de domingo. Casais empurrando os carrinhos de bebé, famílias com gente de todas as idade, grupos de jovens, casais de apaixonados, homens maduros, em grupo ou sozinhos, com curvas da felicidade de diferentes dimensões e formatos, ciclistas e patinadores. 
Quem sabe os sonhos, alegrias, desgostos, preocupações ou projetos que lhes iam na alma. Mas ali, caminhavam sacudidos pelo vento, aproveitando os últimos raios de sol, de um Verão em despedida. 
Talvez, guardando o seu calor, para enfrentar o Outono, que aguarda pacientemente a sua vez, e o Inverno, que espreita a oportunidade de nos enregelar.
Por trás do balcão, o barman ensaiava passes de malabarismo com uma garrafa de Vodka. A jovem que nos atendeu parecia um pouco aluada, mas a salada de polvo estava boa e o gelado, não recomendado para quem, como eu, tem gordurinhas extra, também era bom. Ah, os prazeres da vida são mesmo para se desfrutar.

Então foi a nossa vez de nos juntarmos aos passeadores do paredão. Caminhámos de mão dada, violentamente sacudidos pelo vento. Parámos a ver uma reunião de gaivotas, talvez estivessem a combinar uma nova estratégia para a sua pescaria. Olhámos o mar, bem do finalzinho do pontão.
Quis eternizar o momento. Não havia nada de especial a comemorar, apenas o fim da metamorfose, a Vida e o nosso Amor, que tem resistido, desde há 12 anos, ao tempo, às metamorfoses e às agruras da vida.
Depois levantaram-se nuvens de areia. Caminhámos em direção ao carro. À nossa frente ia um velhote, com um boné na cabeça que, simbolicamente, tinha gravada a seguinte inscrição "Tara Perdida".
Em seguida, fomos a casa da minha cunhada e do marido, onde também se encontrava um casal amigo que já não víamos há muito.
Conversámos,  rimos, jantámos, recordámos histórias antigas e voltámos a casa.
Foi apenas mais um Domingo, mas foi um Domingo de Sol.

Boa segunda-feira, cheia de luz e sol.

Abreijos,




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1 comentários

  1. E carece de mais alguma coisa??? São essas pequenas preciosidades que fazem a vida valer a pena de ser vividamente vivida!!! E somos GRATIDÃO.
    Beijuuss, Tê amada, n.a.

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