Reflexões

PONTAS SOLTAS

domingo, novembro 06, 2011Teresa Varela

Falar de Amor e Respeito é um lugar comum. Tanto se fala deles que acabam por perder significado.
Acontece que não conseguimos viver, realmente viver, sem nenhum dos dois.
Mas, para além de aprender a amar e respeitar os outros, o que, só por si, é um exercício difícil que levamos a vida inteira a aprender a fazer, temos uma tarefa mais árdua e mais complicada: Amar e Respeitar a nós próprios.
Esse Amor e Respeito, por nós próprios, passa por aceitar aquilo que somos, sentimos, queremos e desejamos, e  isso é paralelo e simultâneo à obrigação que temos de dar o melhor de nós e de continuamente nos tentarmos aperfeiçoar e superar.
Amor e Respeito, por nós mesmos, são muito mais do que instinto de sobrevivência, pouco têm a ver com estarmos permanentemente à defesa, preparados para o ataque ou fechados numa concha dura, agressiva ou protetora e são absolutamente contrários a depender ou fazer outros depender de nós, manipular ou deixar-se manipular, mendigar, ou fazer os outros mendigar, amor e respeito,  escolher ou agir na dependência da aprovação ou amor dos outros ou, ainda, acomodar-nos a vidas sensaboronas e "seguras".
A falta de Amor e Respeito, por nós próprios, tem a ver com pontas soltas.  Ao longo da vida, pelas mais diversas razões, vamos deixando pontas soltas. As palavras que não dissemos, os sentimentos que não manifestámos, os medos que não enfrentámos, os projetos que não cumprimos, os objetivos por que não lutámos, as perdas que não aceitámos, as posições que não defendemos, o respeito que não exigimos, os valores que não mantivemos, as violentações que nos auto-infligimos, os amores ou amizades que não adubámos, os momentos que não tivemos coragem de viver, as migalhas que não recusámos.
As pontas soltas, que vamos deixando ao longo da vida, vão-se enredando de tal forma que podemos chegar a um momento da nossa vida em que ficamos paralisados, presos na teia que nós mesmos fabricámos. 


Muitas vezes temos a tentação de culpar o mundo, a sociedade ou os outros, da teia em que nos encontramos enredados, mas, na verdade, somente cada um de nós se poderá desenredar, pois apenas a cada um  é dado saber onde e de que forma deixou cada uma dessas pontas soltas.
Nunca é tarde para desembaraçar as pontas. Nunca é tarde para começar a não deixar pontas soltas.


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