Reflexões

RECONCILIAÇAO

sábado, janeiro 28, 2012Teresa Varela


Vagueei perdida, nos anos, nos dias,
Nas recordações, nas dores e amores,
Nas perdas e injustiças,
Nos risos e nos momentos felizes. 


Encontrei-me menina,
Jovem, mulher.
Revi os momentos.
Encarei de frente as dores,
As perdas, as feridas antigas,
E vi, com espanto,
Que as dores não doíam.
As feridas estavam saradas.
E as perdas, essas, estavam sanadas
Pelas boas recordações.
Vagueei, perdida nos meses,
Há procura de razões,
Em busca de explicações.
Expurguei minha alma,
E enfrentei o espelho....
Então, num ato de coragem,
Reconheci que não era o passado,
Mas sim o presente,
A razão do meu descontentamento.
O motivo do meu sofrimento.
Reorganizei, arrumando em gavetas,
Ou em dossiers, nas prateleiras,
Por ordem de importância
E em função da prioridade.
No dossier verde, que sempre será esperança,
Etiquetado com a designação "Pendentes",
Guardei tudo o que escapa ao meu controlo.
Noutro, vermelho, a que chamei "Urgente",
Arquivei tudo, escrupulosamente,
Em função da prioridade.
No laranja, que é calor e vibração,
Coloquei a etiqueta "Sonhos e Projetos",
E aí guardei todos os meus desejos.
Numa gaveta, de mau acesso,
Guardei as mágoas, dores e desilusões.
Nas outras, que ficaram repletas,
Organizei, sem grande cuidado,
Todas as boas recordações.
(Quero tê-las sempre à mão).
Orgulhosa de mim, sorri, ao ver quanta ordem.
Agora podia ver com clareza.
Então pus mãos-à-obra.
Abri o dossier vermelho e comecei,
Lenta mas firmemente, a nova caminhada.
Já tenho vários vistos a verde, o dossier está mais magro.
Enquanto no "Arquivo Morto" já é imensa a papelada.
Reconciliei-me com a vida,
Comigo, com todos os que amo,
Ou amei.
Reconciliei-me com o mundo,
As gentes e o sofrimento.
Mas, porque a vida não pára,
Vivemos buscando o Caminho,
Nada ficou estagnado,
Continuará sempre a ser
Um caos, mas um caos organizado.
Agora caminho sem pesos desnecessários.
Liberta do supérfluo, do inútil
E das falsas desculpas.
Porque sigo de pés descalços
Tenho cuidado com o terreno que piso,
Mas não demasiado.


Na mulher, que sou, habitam a criança e a jovem, que fui, e vivemos as três em perfeita harmonia. A vida, as pessoas, a natureza e o sorriso dão sentido à minha vida. 

Percebo que a vida é como um livro,
Repleto de páginas em branco.
Não há como espreitar o final.
Não se pode apagar o já escrito.
E o protagonista principal
Só controla uma pequena parte da história,
Que se vai desvendando a cada página,
Mas, da sua forma de atuar, da sua perspetiva
E da capacidade de improvisar, amar
E enfrentar o destino,
Vai depender o final de cada capítulo,
O início do seguinte
E, também, o epílogo.

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1 comentários

  1. Noooossa Tê...que reconciliação mais linda de viverrrr!!! Li, reli e encantada estou até agora. Intensas palavras, escritas por quem vive tb intensamente/vividamente essa VIDA!!!
    Beijuuss, amaaaada, n.a.

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