VIRTUAIS OU APENAS GENTE

Na passada quarta-feira reencontrei uma amiga querida que já não via há quatro anos. Olhámo-nos bem de frente, para ver se era verdade, demos aquele abraço que compensa o tempo e rimos, rimos, com o sentimento que torna as pessoas reais.
Nestes últimos tempos, os nossos contactos têm sido apenas virtuais. Email, conversas no chat do facebook e postagens nos respetivos murais.
Este encontro fez-me pensar na utilização que fazemos da internet e nas suas comunicações virtuais. Sou uma utilizadora assídua da internet, utilizo-a para trabalhar, estudar, manter-me informada, divertir-me e comunicar com os outros.
A internet permite-nos partilhar pensamentos, informações ou projetos, com pessoas com quem, de outra forma, nunca teríamos contacto. Permite-nos, de uma forma imediata, esclarecer dúvidas, ter acesso aos mais diversos conhecimentos científicos, receber informações, ficar ao corrente dos últimos acontecimentos que se estão a passar,  perto de nós, ou no outro lado do mundo, e até viajar, virtualmente, pelos locais mais longínquos e exóticos.
Dizem que a internet afasta as pessoas que temos perto, interferindo de forma negativa na vida familiar e social, na roda de amigos e até no trabalho. 
Será que é assim? Ou será que a internet é, em muitos casos, apenas a desculpa, o subterfúgio usado para compensar aquilo que se sente falta ou não se consegue encontrar na família, no círculo de amigos, no local de trabalho ou, acima de tudo, em nós próprios?
Na internet podemos ser príncipes ou princesas, cavaleiros andantes, grandes defensores de causas humanas e sociais. Podemos enviar mensagens encriptadas para destinatários não mencionados que, caso se sintam tocados, terão que as descodificar. Podemos assumir qualquer identidade, onde a idade, o aspeto físico, as nossas inseguranças, defeitos ou  dificuldades de comunicar se esfumam e perdem a importância. Passamos a ser seres pensantes mas imateriais.
A internet é apenas um instrumento de grande alcance que permite uma infinidade de utilizações, em que, por não ter consciência, nem moral, as consequências da sua utilização dependem da consciência, moral e valores dos seus utilizadores.
Pensar que a internet pode substituir um sorriso, um olhar, um abraço ou a presença de alguém é tão absurdo como imaginar que se adulterarmos os dados da nossa identidade nos transformaremos numa outra pessoa.
O reencontro com a minha amiga Mónica deu-me aquilo que nenhum instrumento, por mais aperfeiçoado que seja, por maior número de funcionalidades que tenha, me poderá dar, o toque, o calor e o sentimento de um abraço cheio de amizade.

Comentários

  1. Minha querida Teresa, apesar de não nos vermos ao longo de quatro anos mantivemos o contacto e desde que nos encontramos no facebook temos estado mais "próximas" :) foi óptimo reencontrar-te e ver que estás maravilhosa! Adoro-te! És um ser humano maravilhoso e que privilégio ser tua amiga. Obrigada pelo carinho e amizade sinceros!

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