Amor Dor

O VOO DE UM ANJO

quarta-feira, dezembro 12, 2012Teresa Varela

In Memoriam

de um Anjo que, por graça divina, viveu, por um momento, junto de nós e que, para sempre, habitará nos nossos corações.
Este conto, que agora publico, foi escrito, neste Blog, na madrugada do dia 1 de Dezembro de 2012, enquanto aguardávamos o inevitável voo do nosso pequeno Anjo, de regresso ao seu Jardim.
Partilho-o convosco...
Pelo nosso pequeno Anjo, para toda a Família e para todos os Amigos... Na esperança de que saibamos aceitar melhor o seu voo...


Naquele dia, no imenso jardim, o sol brilhava,  inundando a paisagem de cores e sombras. O ar transportava um subtil aroma a terra e flores. O som da água, fresca e cristalina, correndo livre, ecoava por todo o lado, como uma melodia alegre e relaxante.
Os cabelos do pequeno Anjo, agitados pela suave brisa, emitiam milhares de reflexos. Este, debruçado numa nuvem, olhava com curiosidade o mundo dos homens. A expressão do seu rosto infantil mudava a cada instante, manifestando as diferentes emoções que a visão das atividades humanas lhe causavam.
O Anjo estava tão absorto que estremeceu ligeiramente, quando se apercebeu  da presença de Deus, mesmo ao seu lado.
- Diz-me, Meu Anjo, o que te desperta tal curiosidade, que te afasta dos teus irmãos, há tanto tempo?
- Perdoa-me Pai, mas os homens confundem-me e, simultaneamente, são muito interessantes.
As suas mudanças de humor são imprevisíveis. Passam de um estado de felicidade exuberante, à mais profunda infelicidade, sem que eu consiga perceber bem os motivos. Choram e riem. Irritam-se, praguejam, zangam-se. Parecem infelizes quando estão sozinhos, mas, depois, quando estão acompanhados, discutem por coisas insignificantes e que parecem ter pouca importância.
Invejam-se uns aos outros, lutam para serem poderosos, prejudicam-se uns aos outros sem compaixão.
Mas, o que é verdadeiramente desconcertante, é que, umas vezes, fazem guerras e desacatos, outras, são capazes dos maiores sacrifícios e atitudes mais generosas em prol dos seus irmãos.
Mas, sabes Pai, há uma coisa que os torna apaixonantes. É a forma extraordinária como os pais são capazes de amar os filhos. E, bem...., eu gostava....Quero dizer, se Tu permitisses, eu gostava de viver entre os humanos.
- Meu pequeno Anjo, mas então tu não és feliz aqui?  Não sentes o Amor imenso que se vive neste lugar?
- Sinto, meu Pai, claro que sinto. Mas aqui é diferente. Todos os dias são iguais...Não são aborrecidos, nem tristes e, muito menos, infelizes ou com sofrimento.  Pelo contrário, aqui, só existe felicidade e doçura, calma, luz e compreensão. Mas, eu nunca vivi no outro lado. Nunca senti coisas diferentes... Não tenho forma de fazer comparações....Quer dizer, eu tenho o entendimento, eu sinto as emoções, mas...., nunca as vivi.
Além disso, gostava de ensinar aos homens tantas coisas que aprendi aqui.
- Mas, meu Anjo, tu ainda és muito pequeno, ainda não podes ir viver entre os homens, sem te deixares envolver pelas suas paixões.
- Então, meu Pai, não posso ir?
- Bem, há uma maneira....Já muitos outros pequenos  Anjos o fizeram e muitos outros o farão...
- Sim, Pai, há...? Diz-me, por favor, qual é...
- Digo-te sim, meu Anjo, mas, primeiro, diz-me tu. Quem foram os humanos que te despertaram tal paixão?
O pequeno Anjo deu a mão a Deus. As suas mãos unidas emanaram ondas de Amor, Paz e Luz, por todo o Jardim. Então, o Anjo, timidamente, apontou para uma família de humanos.
No rosto de Deus nasceu um sorriso, mas pelos Seus olhos perpassou uma sombra de tristeza.
- Sabes, meu Anjo, se, verdadeiramente, quiseres ir viver junto daquela família, se quiseres ser abraçado, amado e acarinhado. Se, verdadeiramente, lhes queres "ensinar" a magnifica essência de que é feito o Amor.
Então, tens que compreender que o tempo que te é concedido é curto, em termos humanos, pois, és necessário aqui, no Jardim, para cresceres e melhor poderes ajudar os humanos.
Tens que tomar consciência de que, durante o tempo que lá estiveres, te  "esquecerás" de que és um Anjo.
Acima de tudo, tens que perceber  que, para sentires o amor e o "abraço" dos homens, vais ter que viver o sofrimento. E, como a tua passagem por lá é curta, para lhe poderes "ensinar" a profunda essência da Fé, da Esperança, da Coragem e do Amor, tu e eles terão que sofrer mais do que é normal.
- Meu Pai, não há outra maneira? Eu não gosto da ideia de eles terem que sofrer...Mas, sinto por eles uma tão grande paixão...
- Não, meu Anjo, não há outra maneira. Porque se tu os escolheres é porque eles são especiais....e para que possam "crescer", ainda mais, não há outra maneira....
- Ó meu Pai... Diz-me então que devo fazer....Se já os amo tanto...mesmo sem, verdadeiramente, os conhecer, mesmo sem lhes poder tocar...
- Meu Anjo, nisso não te posso ajudar, terás que ser tu mesmo a escolher...
O rosto do Anjo, pela primeira vez, na sua ainda curta vida, demonstrava tristeza, indecisão e perplexidade....
Lentamente, Deus soltou a mão do Anjo, olhou-o com um Amor imenso, rodeou-o de uma ternura enorme e afastou-se dizendo:
Deixo-te só, para refletires e decidires sozinho. Seja o que for que decidas, nunca, mas nunca, te esqueças: Eu estarei sempre ao teu lado. E, pousando com doçura a sua mão na cabeça do pequeno Anjo, gravou, em todo o seu ser, essa certeza, essa profunda e indelével mensagem: Estarei sempre ao teu lado.
O Anjo apoiando os cotovelos na nuvem, refletiu por longo tempo, com o seu pequeno queixo apoiado nas mãos....Decidia....ficava indeciso....decidia...ficava indeciso...mas, finalmente, a chamada do Amor foi mais forte...
Nasceu forte, saudável, dando de imediato voz aos seus poderosos pulmões. Nasceu rodeada de amor e carinho, numa grande família...
Os primeiros tempos foram de felicidade, de cheiros de bebé, de sorrisos e ternura...
Mas, depois, tudo mudou, a sombra de uma terrível doença obscureceu a felicidade daquela grande família e de todos os amigos que a rodeavam.
A luta foi longa e feroz. Mas, aquela menina, maravilhosamente corajosa, nunca perdeu o sorriso. E, o Amor, a Coragem, a Fé e a Esperança cresceram, naquela família, ganhando dimensões inimagináveis.
Porquê? Perguntavam-se, mas não encontravam resposta. A incompreensão, a revolta, o sentimento de injustiça ameaçava crescer nos seus corações, mas rapidamente era abafada por imperativos mais urgentes.
Agora, aproximava-se a derradeira e mais cruel das provações....Como poderiam aceitar tal injustiça, depois de tanto esforço, sofrimento e luta? Como poderiam sobreviver a tão terrível perda? Como poderiam explicar aos mais pequenos? Que justificação, que consolação, lhes podiam dar?
Como se lida com tal violência?
No entanto, para espanto de todos, o sorriso permanecia no rosto daquela extraordinária e tão amada menina. E, mesmo quando, por momentos, o sofrimento a vencia e o seu sorriso esmorecia, mesmo assim, nos seus olhos permanecia uma estranha, uma imensa paz.
Soubessem eles que, afinal, ela era um Anjo e que, mesmo não estando visível, jamais os abandonaria. Que, quando lhe falassem, mesmo sem ouvirem a sua resposta, ela os ouviria.
Soubessem eles que, depois da sua partida, sempre que fizessem silêncio, poderiam senti-la e ouvi-la nos seus corações.
Soubessem eles que a sua presença, nas suas vidas, tinha sido uma dádiva divina. Soubessem eles que a vinda dela tinha sido um caso de Amor profundo, de uma Paixão desmedida.
Soubessem eles que, ainda que vivessem em permanente saudade,  ela, verdadeiramente, nunca partiria.
Pois, o local em que ela irá Viver, é um lugar especial. É longe, mas é perto. É lá, mas também é aqui. Por isso, ela será sempre Presente nas suas vidas, será sempre amparo, será sempre conforto, será sempre Sorriso, será sempre Luz, será sempre Coragem e será sempre Amor...
Para que o Anjo  Regresse a Casa ou para permanecer por aqui, caso Deus fuja às suas próprias regras e decida realizar o imenso Milagre,  fica uma vela que será Luz, Coragem e Amor, para lhe iluminar Sempre o Caminho. Para iluminar o Caminho dos seus pais, irmãos ou avós.
Esta é uma história de Amor Eterno e esse, por definição, não tem fim.  Esta é uma vela eterna e a sua Luz não tem fim...
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