Atualidade Comportamentos

COISAS DE PASMAR

domingo, janeiro 13, 2013Teresa Varela

Timeless Classic
O mundo ocidental e, particularmente, Portugal, vivem, atualmente, uma das maiores e mais graves crises económicas e financeiras, das últimas décadas.  
Os dados estatísticos relativos ao desemprego e às famílias superendividadas, muitas das quais já perderam  automóveis e casas e que, para se poderem alimentar, têm, muitas vezes, que recorrer às organizações humanitárias de solidariedade, são, verdadeiramente, assustadores.
Greves e manifestações passaram a ser acontecimentos quase diários. Economistas de todo mundo alvitram hipóteses, tecem críticas, sugerem estratégias.  As agências de rating  "dão notas" aos países e, sem qualquer tipo de vergonha ou  pudor, classificam as suas economias como lixo. 
Nos países mais atingidos pela crise, como é o caso de Portugal, os partidos políticos não se entendem, agravando, com as suas querelas, ainda mais, as já difíceis e constrangedoras condições económicas e sociais, com que se defrontam. 
Pasme-se então... com o elevado número de pessoas que perde tempo, se irrita, cria páginas na internet, escreve notícias e crónicas em jornais, dando origem quase a uma "insurreição" popular, por motivos tão desinteressantes, triviais e inócuos, como os desejos, para o ano de 2013, de uma "ilustre" desconhecida, particularmente com o seu prosaico desejo de ter uma carteira "Chanel". 
Este acontecimento atingiu uma tal relevância que, neste sábado, a dita jovem foi  dar uma nova entrevista, pasme-se, a uma das televisões nacionais.
Para quem não conhece a história, vou, resumidamente, tentar explicar o que se passou.
Há poucos dias atrás, foram partilhadas, no youtube, várias entrevistas, patrocinadas por uma conhecida marca de produtos eletrónicos, a pessoas, supostamente, mediáticas.
Uma das entrevistadas foi uma jovem, quase completamente desconhecida, que, tal como muitos de nós, tem um blog, cujo principal conteúdo é acerca de Moda.
À referida jovem, que até à data me era completamente desconhecida, não lhe reconheci, nesta entrevista, qualquer tipo de encanto ou interesse, dotes especiais  de comunicação, nem mesmo grande nível intelectual.
As especificidades que, talvez, mais a distingam, são a sua voz nasalada, semelhante à das pessoas que estão com uma amigdalite,  e deficiente pronuncia das palavras, factores estes que são normalmente associados a uma certa elite, da classe social mais elevada, para além da sua evidente futilidade.
O que me leva a escrever esta crónica não tem, de todo, nada a ver com esta jovem, nem com os seus prosaicos e fúteis desejos.  Propositadamente não refiro o seu nome, pois que esta pequena crónica não é, de forma alguma, acerca dela, pelo facto de a mesma não me suscitar qualquer tipo de interesse, mas, sim, acerca do comportamento de elevado número de pessoas, em relação a um acontecimento que, por si só, não tem qualquer importância, nem relevância social, história, ou outra,  e pela dimensão e projeção atingida por esta entrevista, de conteúdo, estupidamente, irrelevante e desinteressante.
Também não refiro o nome da empresa promotora da entrevista, em virtude de a mesma não necessitar que eu lhe faça publicidade gratuita, até porque, com esta entrevista, já teve publicidade gratuita que chegasse.
Contudo, não posso deixar de manifestar a minha admiração por quem engendrou esta Campanha de Marketing... 
De facto, vivendo nós um momento tão grave, alguém ter a capacidade de lançar uma "estrela", de transformar uma desconhecida, de fracos talentos,  através de uma entrevista vazia e desinteressante, numa figura mediática, de quem "toda" a gente fala, demonstra um conhecimento e capacidade rara, para estas coisas do marketing e da publicidade, quase tão eficaz quanto era o intercalar de uma imagem, de publicidade ou propaganda política, no meio de 16 imagens por segundo, prática esta que foi proibida por causar transtornos e dependências, em muitos dos que as "viram", sem ter consciência das terem visto.
E, é, exatamente, de ter consciência do que se está a ver, ou ouvir, que esta crónica trata.  Aparentemente as pessoas não perceberam que têm estado a fazer exatamente aquilo que a estratégia de marketing, por detrás destas entrevistas, pretendia, a qual era exatamente lançar e transformar uma jovem e "ilustre" desconhecida, numa figura mediática, de quem toda a gente fala.
Dentro em breve, já ninguém se vai lembrar porque razão esta jovem se tornou conhecida, mas o facto é que passará a ser conhecida e reconhecida como alguém que "devemos" conhecer.
Pasmo é a palavra que me ocorre... pasmo com o tempo, recursos, energia,..., que se perde e gasta, com coisas que não têm interesse algum.

Tristeza, também, é outra palavra que me ocorre, pois quando se trata de divulgar ou trabalhar, por e para obras de carácter humanitário e social, ou divulgar os benefícios ou feitos, realizados por tanta gente que dedica a sua vida a trabalhar em prole da humanidade e do mundo, ajudando quem precisa, inovando, criando alternativas, contribuindo para um mundo melhor, ninguém parece interessado, ninguém partilha nada, dificilmente se chega à comunicação social, em geral, e, ainda menos, à televisão. Originado que, para a construção de qualquer coisa útil e proveitosa, seja sempre necessário muito, muito, trabalho e persistência e que se tenha de  enfrentar enormes dificuldades e contratempos....

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