Crise; desalento; mundo; reinventar

À BEIRA DO PRECIPÍCIO

domingo, outubro 20, 2013Teresa Varela

Hoje, recebi um email que me incomodou e mexeu comigo.  O mesmo  partilhava um texto de uma jovem, de 32 anos, que, embora aparente ser uma pessoa sensata e tenha um bom emprego, se encontra desencantada e desiludida com a situação que se vive, atualmente, no nosso  país, com os governantes, os partidos políticos e a classe económica dominante.
Transcrevo parte do conteúdo do mesmo para melhor transmitir o que senti ao lê-lo.

"Na adolescência usamos vernáculo porque é “fixe”. Depois deixamo-nos disso. Aos 32 sinto-me novamente no direito de usar vernáculo, quando realmente me apetece e neste momento apetece-me dizer: Vão-se f....!"
".... Talvez me vá embora. Talvez pondere com imensa pena e uma enorme dor no coração deixar para trás o país onde tanto gosto de viver, o trabalho que tanto gosto de fazer, a família que amo, os amigos que me acompanham, onde pensava brevemente ter filhos, mas olhem…"
" ... Talvez vá. E levo comigo os meus impostos e uma pena imensa por quem tem que cá ficar.
Por isso, do alto dos meus 32 anos digo: Vão-se f..."

Compreendo-a, compreendo a sua tristeza, o seu desencanto, a sua irritação. Não só a compreendo como, em muitos momentos, tenho sentido exatamente a mesma coisa.
Compreendo que pondere ir-se embora do país à procura de um futuro melhor.
Mas, para além destes sentimentos e pensamentos que todos temos ocasionalmente, aquele com que mais me confronto é com o Medo.
Medo de que a crise perdure durante demasiado tempo.  Medo de que este estrebuchar final do capitalismo, tal como o conhecíamos, seja demasiado longo e provoque demasiados estragos.
Ontem, mesmo, falando com um amigo, com uma ideologia política oposta à minha, perguntava-me ele:  E que caminho político vamos nós, agora, seguir?  Ao que eu lhe respondi não saber.
E, penso que é esse de facto o maior drama.  Para além da corrupção e da ganância desmedida de muitos, para além dos negócios escuros, dos favores políticos, das "cunhas", das elites, penso que o mais grave é que ninguém sabe muito bem o que devemos fazer para sair desta crise mundial. Esta não é apenas uma crise económica e financeira.  É uma crise que se reflete no trabalho, na saúde, na educação e, de uma forma geral, em todos os aspetos da vida das pessoas.
A cada dia que passa, mais se alarga o fosso entre os poucos, muitos ricos, e os muitos, cada vez mais pobres.
Grandes grupos económicos dominam a economia e política mundial, mas, nem ele próprios têm qualquer tipo de controlo, a médio e longo prazo, sobre as consequências das suas ações e a decadência do capitalismo.
Viver em Portugal, na Alemanha ou nos EUA é quase só e apenas uma questão geográfica. Portugal ressente-se mais porque  sua economia era mais frágil, mas, no fundo, mais tarde ou mais cedo, todos os países acabarão por ser atingidos pela Crise. 
Naturalmente que nos países mais ricos e poderosos se vive melhor, os efeitos da crise se sentem menos e estes sairão mais rapidamente dela. Mas, ela está aí, não é possível fugir-lhe, não há como contorná-la. 
Chegámos ao fim de um grande ciclo económico e político.  Um ciclo de quase dois séculos em que vivemos em curva ascendente.  Agora, começámos a curva descendente, mas esta revelou-se demasiado abrupta, demasiado íngreme. 
Sentimo-nos entontecidos pela descida vertiginosa. Procuramos culpados.  Tentamos agarrar-nos para não sermos levados pela enxurrada, para não cairmos no precipício. Na ânsia de sobreviver, atropelamos os outros, espezinhamos sem piedade ou, alternativamente, caímos na depressão, na tristeza, no desalento...
Não sei a resposta para a crise, mas tenho a certeza de que não poderá passar nem pelo desalento, nem pelo atropelo.
Precisamos reinventar-nos e reinventar o mundo.... Precisamos de esperança, de garra, de fé, de coragem, de trabalho, de tolerância, de justiça e de união...

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