; Metamorfose Borboleta Vida

A Espera

sexta-feira, outubro 11, 2013Teresa Varela

José Ramos - Nature & Landscape Photography
Vivemos esperando....
Esperando crescer, para poder ter mais liberdade
Esperando o Verão, para ir de férias...
Esperando o fim-de-semana, para descansar.
Vivemos sempre ansiando por algo que tarda a chegar...
Por que ele repare em nós, pelo toque da sua mão.
Pelo primeiro beijo.
Pelo dia do teste ou exame.
Pelo fim do curso.
Pelo primeiro emprego
Pelo dia do casamento.
Pelo nascimento do primeiro filho.
Vivemos ante-vivendo o futuro.
Temendo o que nunca chegará...
Ansiando pelo que iremos aborrecer.
Vivemos, de tal forma, esperando que nos esquecemos de viver.


Mara Sarmento Photography
Como rio que corre, sem controlo, livre e selvagem, assim o tempo, o mundo e os nossos mais profundos desejos nos escapam das mãos, transformando-se em espuma branca e em recordação.
Esperar é duro, mas a Esperança é filha da espera.
Enquanto se espera todos os sonhos são tangíveis, todos os impossíveis, prováveis.
Mas, a ansiedade, daquele que espera, não lhe permite apreciar a beleza do momento. A gota cristalina que, por um momento, pára e faz parar o tempo, refletindo todas as cores, dores, sonhos, amores, desejos, desilusões, rancores, anseios, nuvens e estrelas do firmamento.
Mara Sarmento Photography

A espera termina, um dia, e de novo voltamos a esperar, por mais um momento, amor, sofrimento, desejo, projeto ou sonho.
Mas, o tempo, ao passar, marca o ritmo e a forma de tudo se transformar.
Sem nos apercebermos, ao longo do tempo, vamo-nos metamorfoseando. De pequenas lagartas nos transformamos em borboletas . Envelhecemos, as asas perdem a força e já não nos deixam voar e, um dia, vão transformar-se  em poeira que, eternamente, vagueará, brilhando, pelo Universo.

Pergunto-me, então, para quê tanta ansiedade, tanta dor, tanto sofrimento?  Para quê o stress? O olhar constante para o relógio? O estremecer a cada toque de telefone? O confirmar, uma e outra vez, se chegou o email?
Eu, que espero, desespero. Aguardo, ansiosamente... Será que, no final, o meu querer, o meu sonho, o meu projeto, o meu amor, vingará?
Mas, reparo agora. Eu que já fui pequena lagarta sou agora uma magnifica borboleta, já experiente, já madura, já com as asas um pouco cansadas. 
Mas, no meu coração vive a jovem guerreira e sonhadora que, numa inspiração, não me deixa sentir cansaço, não me deixa vergar no tempo e, erguendo convictamente as minhas, ainda fortes e belas, asas, parto num voo. Um voo de prazer, de imaginação, de sonho. 
Olho-me no espelho de água, as rugas partiram, a flacidez desapareceu. 
Sou jovem, fresca sadia, porque jovem é o meu coração, e sábia, porque o tempo e mundo me metamorfosearam. Com ou sem rumo,  voo em direção ao momento, à gota brilhante que tudo reflete, que tudo promete, que sacia a Vida

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