Contos

CAOS

sexta-feira, janeiro 10, 2014Teresa Varela


Um violento estrondo despertou-me abruptamente. Ergui-me de um salto, mas, no escuro, entontecida, não conseguia orientar-me.
A casa, que conhecia de olhos fechados, transformara-se num labirinto, repleto de obstáculos.
Chamei, gritei, por todos, mas apenas um silêncio opressivo me respondeu.
Avançava, penosamente, tateando e arrastando os pés. Nada me parecia familiar e perdera a noção de para onde me dirigia.
Arrastei-me em direção à única  nesga de luz que rompia a escuridão, proveniente de um local indeterminado.
Sem perceber como, dei-me conta de que me encontrava na rua. O céu, sem estrelas,  estava envolto numa espécie de névoa estranha e indefinível.
O silêncio era aterrorizador. Sentia o coração oprimido, esmagado por uma força imensa que parecia crescer dentro de mim e dominar todo o meu ser. Em meu redor, nada se movia. O próprio ar parecia estar paralisado. Não se sentia a mais leve brisa.
Um pensamento aterrador invadiu-me o espírito - Estava sozinha no Mundo -.
Sentei-me no chão e deixei que as lágrimas me escorressem pelo rosto livremente, Naquele instante, desejei morrer. A morte parecia-me uma coisa bem mais doce do que ter sobrevivido, naquele mundo que não conseguia identificar. Chorei por muito tempo, até que acabei por adormecer, sucumbindo ao cansaço.
O meu sono foi povoado de estranhos sonhos, onde se movimentavam furtivamente criaturas maléficas, fitando-me, à distância, com um olhar cruel.
Acordei dorida e assustada. O dia havia clareado, mas o azul do céu continuava encoberto por uma imensa nuvem cinzenta.
Olhei em volta, a destruição era devastadora, impossibilitando qualquer tentativa de identificar o local em que me encontrava.
Ergui-me e comecei a caminhar sem direção definida.  Um sentimento de urgência apoderou-se de mim. Precisava, rapidamente, de encontrar algo que fizesse sentido.
Perdi a noção do tempo, não fazia ideia há quanto tempo caminhava, sem avistar um único ser vivo de qualquer espécie.
Os meu olhos foram atraídos para algo que a princípio me pareceu incompreensível. Lentamente, as imagens começaram a fazer sentido no meu cérebro.
Uma fenda imensa, da qual não se avistava o fim, rasgara a terra, ferindo-a de morte, e nada, sobre nada, tinha resistido à fúria da natureza.
Para onde ir? Que procurar?
Sem saber bem porquê, continuei a caminhar, sentia os pés doridos, quase em sangue, o estômago vazio, comprimido sobre si próprio, e a língua rígida, como uma tábua, dentro da boca seca, sem um pingo de saliva.

Mara Sarmento Photography



Anoitecia, só nessa altura me dei conta de que a paisagem tinha mudado. À minha frente perfilava-se um esquadrão de árvores. Estas mantinham-se de pé, firmes, intocáveis.
Ganhei um novo folgo, entrei na floresta com o coração latejando de esperança.
Deparei-me com uma imagem incongruente e pacificadora. No meio da floresta, incólume, encontrava-se um singelo baloiço de madeira, que se deixava embalar por uma suave brisa, indiferente à destruição e à morte.
Deitei-me sobre os esparsos tufos de relva, protegida pelas invencíveis árvores. Dobrei-me sobre mim própria, procurando aquecer-me. O frio entrava-me nos ossos e fazia com os meus dentes batessem num ritmo atordoante. Vencida, caí no esquecimento, apaziguada por um abençoado sono.
A noite fora-se. Nascera um novo dia, tão triste e cinzento como o anterior. O resmalhar das folhas das árvores era o único som audível. O resto da natureza parecia adormecida, ou morta.
A custo, pus-me em pé. Tinha que continuar a caminhar, sem direção, sem destino, mas essa era a única certeza que tinha. Não podia parar.


Mara Sarmento Photography

Embrenhei-me mais e mais na floresta. A visão de uma imensa árvore semi-tombada fez-me estacar. Esta, a maior e mais antiga, não resistira ao holocausto. Doeu-me profundamente a morte daquela ancestral árvore e chorei por ela, como se de uma amiga muito querida se tratasse.
Continuei a minha caminhada, até perder completamente a noção das horas, dos dias e  do lugar em que me encontrava. Comi bagas de frutos e bebi muita água, que escorria abundante em diversos locais, mas, não encontrei um único ser vivo, para além dos insetos que passavam por mim ziguezagueando, atordoados.
Todo o meu corpo doía, os olhos, cansados, traiam-me  e olhavam o mundo através de uma névoa difusa e enganadora.



Photography


Ao longe, o céu e as nuvens pareciam derramar-se sobre a terra. Esta visão era, simultaneamente, bela e triste e, pela primeira vez, avistei alguns, vagos, raios de sol, mas o Mundo continuava deserto e silencioso.


Então tudo escureceu, os trovões atroavam os ares, os raios rasgavam o céu, carregado de nuvens e, subitamente, uma chama e fumo imenso encheram a paisagem. 
Aterrorizada, de olhos arregalados, estaquei, muda de espanto. O espetáculo tinha tanto de belo, como de aterrador. Não parecia haver fuga possível, pelo que me mantive quieta, olhando fixamente aquela fantástica e incontrolável manifestação da natureza.
 

Então, ouviu-se um rugido terrível, o cume da montanha pareceu fender-se em dois e, após uns segundos de silêncio e calmaria, o céu escureceu mais ainda e levantou-se uma violenta ventania que transportava cinzas a centenas de quilómetros.


Corri, enlouquecida, em busca de abrigo. A minha fuga nada tinha de consciente, apenas o instinto de sobrevivência me guiava. Tropecei e caí, um sem número de vezes. Cega pelas cinzas, sentia que a pele se rasgava sempre que embatia ou roçava, violentamente, em galhos de árvore e outros obstáculos.
Um espesso líquido agridoce escorria pelos meus lábios. Tinha a certeza de que era sangue, mas não podia parar. Parar seria a morte certa, por isso continuei na minha desorientada fuga, ainda que, dentro do meu coração, encarasse a morte como uma coisa abençoada.


A certa altura, apercebi-me de que estava perto do mar, pois, vagas imensas vergastavam um velho farol, junto àquilo que me pareceu um enorme penhasco.
Depois, perdi a consciência, continuei aos tropeções, como um autómato descoordenado e, por fim, devo ter caído e o mundo apagou-se.
Não sei quanto tempo estive inconsciente...
Algo me agitou. Então, ainda, sem abrir os olhos, tentei avaliar a minha situação. O corpo doía-me, como se todo ele fosse uma nódoa negra gigantesca. Deitada, sentia que as formas irregulares do solo pareciam querer perfurar-me os ossos. Sentia-me completamente encharcada e fria, mas todos os meus membros pareciam estar funcionais.
Aventurei-me, então, a abrir os olhos. Este foi um esforço doloroso. Senti picadas, como se me espetassem agulhas nos olhos, enquanto tentava libertar as pálpebras de algo viscoso que as prendia.
Por longo tempo, permaneci deitada, tentando focar os olhos, mirando céu. Este estava carregado, ainda, mas já se podiam ver fiapos de nuvens brancas, iluminados pelo sol e algumas nesgas de céu, de um azul apaziguador.
Sentindo que o mundo girava em torno de mim, foi com enorme dificuldade que me consegui sentar. Observei  as minhas pernas que pareciam uma estranha amalgama de sangue seco, algas, restos de cinzas e outras coisas não identificáveis.
As mãos, tal como os braços, estavam cheias de golpes e arranhões. Desgrenhada, ferida, com a roupa em farrapos, devia ter um aspeto devastador, mesmo, assustador, mas isso não tinha qualquer importância, pois continuava sozinha no mundo
Finalmente, ganhei coragem para olhar em redor de mim. Mas, o que vi, ultrapassou tudo o que poderia ter imaginado.


Mara Sarmento Photography


O céu  parecia desfocado, como se estivesse a ser engolido por um vórtice no mar. Olhando em volta, via apenas mar, rochedos e calhaus. Não se avistavam colinas, ou planícies, árvores ou arbustos.
Nada se movia, para além do céu esborratado e do mar, no seu contínuo vai-vem. 
Senti que o peso do Mundo caía sobre mim. Gemendo tentei erguer-me, talvez que, de outra perspetiva, conseguisse ver algo mais do que aquela minúscula ilha de calhaus.
Coxeando e desequilibrando-me continuamente, dei a volta à ilha. Nada, apenas calhaus, rochedos, mar e céu. Parei ofegante e desenganada. 
Só então me dei conta de que as cores do céu e do mar tinham mudado e de que o sol fizera a sua aparição, embora estivesse no ocaso.
Algo, em discordância com tudo o resto, atraiu o meu olhar. Transpus, a custo, os poucos metros que nos distanciavam. E, fiquei ali, olhando, tristemente, os destroços, único comprovante de que, um dia, existira a humanidade 



José Ramos - Nature & Landscape Photography

Sentei-me,  desalentada, na rocha mais seca que consegui encontrar e fiquei ali, por um tempo infinito, observando o horizonte e todas as mudanças de tons do céu e do mar.
Como era irónica a vida. O mar sempre fora para mim o melhor calmante e a maior fonte de inspiração. Agora, o mar era tudo o eu que tinha e ele transformara-se no símbolo da minha dor, tristeza e frustração.


Mara Sarmento Photography


Deitei-me sobre um minúsculo espaço sem pedregulhos e aninhei-me o melhor possível. Fechei os olhos e tentei recordar-me de todos os momentos bons que tinha vivido.
Estava na hora de me preparar para morrer. Nada mais havia a fazer, ou esperar....
O bendito sono chegou e libertou-me da tristeza e solidão. 
Acordei com a sensação de que não estava sozinha. Sentia uma respiração, ligeira e compassada, bem perto de mim. Entreabri os olhos, mas estava escuro como breu.
Senti medo. Um medo profundo e ancestral. Depois, foi um ligeiro roçar no meu corpo, mas fiz o possível para não estremecer..
Certamente era um qualquer animal esfomeado e, talvez, se eu fizesse de conta que já estava morta, não tivesse que deixar este mundo de uma forma desnecessariamente dolorosa. 
Interiormente, pedi a Deus, ao Universo, ou a quem me pudesse ouvir, para que tudo se passasse o mais rapidamente possível.
Senti que umas mãos me tocavam suavemente, mas não eram mãos humanas. Eram extraordinariamente macias e doces e afagavam-me como se eu fosse algo particularmente precioso e frágil. 
Tentei, de novo, ver o quê ou quem ali estava, através dos olhos semicerrados, mas estava demasiado escuro e eu não queria que ele se apercebesse de que eu estava viva. Perplexa, apercebi-me de que daquele ser extraordinário, que me afagava, emanava um odor doce, sem ser enjoativo, que eu não era capaz de identificar ou relacionar com coisa nenhuma.
A custo, retive um grito. Senti que me pegavam ao colo e que me abraçavam ternamente. Fosse o que fosse, que me abraçava, fez-me sentir, simultaneamente, amada e aterrorizada. 
Devo ter chegado ao limite do suportável, quando senti que aconchegavam a minha cabeça sobre algo que me parecia um enorme ombro almofadado, pois que, a partir daí, não recordo mais nada.

Voltei a mim, sentindo um calor morno acariciando-me a face. Estava deitada sobre algo fofo que me aquecia e protegia. Tateei o meu leito e percebi que me encontrava deitada na areia.
Descerrei os olhos, temendo o que me aguardava. A princípio vi apenas o céu, onde ainda se podiam vislumbrar um resquícios de sol. Certamente o mesmo sol que amornara o meu leito de areia e me acariciara o rosto. 
Espantosamente, não sentia dor alguma, como se, magicamente, todas as feridas tivessem sarado. Então conclui que, provavelmente, morrera. 
Seria aquele lugar o Paraíso? O Inferno não parecia ser! Ou, estaria no Purgatório? Nessa estranho lugar, que sempre identifiquei como uma espécie de limbo, onde éramos mantidos até atingir um certo nível de perfeição.
Decidi sentar-me. Afinal, não sentia dores, não estava cansada e escusava de continuar a tecer conjecturas, acerca do local onde me encontrava, pois, certamente, bastaria olhar em volta para o compreender.
O areal estendia-se até onde a vista alcançava. Lá longe, parecia elevar-se em direção ao céu. Então, percebi que,  no topo da duna, havia movimento. Esforcei os olhos para tentar compreender o que estava a ver. Um sorriso nasceu-me no rosto e o meu coração começou a bater endoidecido. Eram pessoas, o que eu via. Várias pessoas, lá longe.





















Levantei-me de um salto e comecei a correr, gritando, para lhes chamar à atenção, com quantas forças tinha.

Mas, quanto mais corria, mais distantes eles pareciam ficar. Os meus gritos perdiam-se no vento e eu apenas ouvia o rangido, atroador, dos meus passos na areia.
Corri, gritei, corri, mas ninguém deu sinais de ter dado pela minha presença. Mas, agora, agora, que, finalmente, estava tão perto de outros seres humanos,  não podia desistir.
Ao fim daquilo que me pareceram anos, consegui diminuir a distância entre mim e aquela gente. Gritei a plenos pulmões, com o que me restava de voz, e alguém olhou na minha direção.
Quando cheguei junto deles não houve manifestações de alegria, nem mesmo de interesse pela minha pessoa. Aquele grupo tinha uma ar desolado, inexpressivo, ausente. Olhavam fixamente para aquilo que, à distancia, parecia uma tempestade de areia.
Ao fim de algum tempo, decidiram começar a andar em direção à tempestade. Raramente falavam, só abriam a boca para dizer o absolutamente imprescindível.
Não sei se caminhámos dias, semana ou meses. Nem sei bem, se tínhamos algum objetivo definido. Mas, uma coisa era certa, não podíamos parar enquanto não encontrássemos um local onde houvesse água e alimentos mais abundantes do que os raros regatos e pequenas bagas, com que saciávamos a sede e a fome.
Inesperadamente, o homem, que parecia liderar o grupo, acelerou a marcha. Pela primeira vez, falaram todos ao mesmo tempo e sentia-se alguma emoção no ar. O motivo desta súbita mudança era aquilo que, visto à distância, nos parecia uma cidade.
Acelerámos o passo até ficarmos ofegantes. A cidade cada vez estava mais próxima e a ansiedade do grupo era, agora, enorme.
Estacamos, incrédulos. A cidade não passava de um monte de escombros e, no meio daquilo que deveria ter sido uma grande praça, encontrava-se uma multidão silenciosa, inexpressiva, quase irreal.
Avançavam, ordeiramente, em direção a um grupo de homens que, aparentemente, comandava aquela operação. A cada pessoa era entregue uma pequena mochila e um guarda-chuva e, logo que cada um ficava de posse daquilo que deveria constituir todos os seus haveres, dava lugar ao seguinte. 
Os meus companheiros de jornada hesitaram, apenas por um momento e, em seguida, embrenharam-se naquela massa de gente, tornando-se indistintos. 
Eu fiquei parada, colada ao chão. Antes a morte, do que transformar em mais um ser silencioso e anónimo, naquela massa informe.
Afastei-me daquele lugar o suficiente para, sob a proteção de um pilar, miraculosamente, intacto, poder observar o que se iria passar, sem ser vista. 

Photography


Ouviu-se uma voz de comando e toda aquele gente abriu os guarda-chuvas. O céu encheu-se de uns estranhos flocos brancos que não eram água, nem neve, nem qualquer outra coisa que me parecesse  familiar.
Foi então que reparei num pormenor insólito. Junto à multidão encontrava-se um semáforo que, teimosamente, persistia  na sua função, mudando continuamente, com precisão matemática, a luz verde, seguida da amarela e da vermelha.
Os flocos malhavam de branco a multidão de guarda-chuvas negros, mas, aquela turba mantinha-se imóvel e silenciosa.
Os flocos caiam sobre mim, causando-me uma sensação estranha, não eram frios, nem quentes, nem ásperos, nem macios. Tinham uma consistência indescritível, eram duros, leves e peganhentos. Tentei proteger-me deles, pois não sabia que mal me poderiam causar, mas não tive muito sucesso. 
Uma voz forte elevou-se sobre o silêncio opressivo. Não entendi o que disse, mas, nesse momento, a multidão começou a mover-se, ordeiramente, em direção a um qualquer lugar determinado.
Sentia-me profundamente cansada. As lágrimas salgadas queimavam-me as faces. Sentia-me só, exausta, impotente. A morte fazia-se rogada
Abriguei-me o melhor possível e preparei-me para passar mais uma  noite angustiante e solitária. A terra escureceu. O silêncio era imenso. Fechei os olhos e tentei transportar-me para uma outra era, um outro mundo, onde eu fora feliz.
Sons singulares despertaram-me da letargia. Lembravam os sons de um fogo de artifício. Olhei para o céu. Este estava estranhamente belo. Cheio de luzes e cores que se refletiam na água e em todo o lado. 
Para lá daquelas luzes estavam outras, bem minhas conhecidas. As minhas saudosas estrelas, enfeitando o firmamento. 
Uma lágrima dorida escapou-me dos olhos. Meu Deus, pensei, liberta-me. Deixa-me morrer. Devolve-me a paz

Photography


Sentia-me presa e tentei libertar-me. Onde estava eu agora?
Abri os olhos, olhei em volta, a princípio com incompreensão, depois, sentindo uma enorme felicidade.
Estava no meu quarto, intacto. Deitada na minha cama, ao lado do meu marido que roncava compassadamente.
Nunca, antes, me sentira tão feliz.
Levantei-me da cama sem ruído. Fui espreitar os meus filhos. Dormiam placidamente. Apeteceu-me acordá-los e ao meu marido. Precisávamos comemorar o facto de estarmos todos vivos, juntos, a salvo.
Sentei-me na sala em silêncio, aguardando a aurora. Esta não se fez rogada e brilhou magnifica. Abri a janela e deixei que o vento frio me fustigasse. 
O astro-rei iluminava o mundo. Iluminava-me a mim, e a todo a minha família, e a todos os meus amigos, e a toda a humanidade
Tudo não passara de um mau sonho. Um terrível pesadelo.
O Sol encandeou-me por um momento, batendo-me em cheio na cara e, naquele momento, um odor doce, mas não enjoativo, espalhou-se por toda a parte.

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2 comentários

  1. Soberbamente angustiante! Ainda bem que tudo foi um sonho... um texto cativante do começo ao fim, Teresa!
    Obrigada por este momento.

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Vou adorar ler os seus comentários....
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Bem-haja pela sua visita

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