Poesia

LÁGRIMAS

sábado, outubro 18, 2014Teresa Varela

Arte by Joseph Adolphe
Escorrem quentes,
Salgadas,
Num imenso caudal,
Queimando meu rosto.

Sem dor ou sofrimento,
Invade-me um cansaço imenso.
Uma impotência sem nome.
Uma revolta amordaçada.

Devo sorrir,
Grata.
Grata pela vida,
Pelo pão,
Pelo abrigo,
Pelo lar.

Mas, o coração grita
Na sua revolta surda,
A incompreensão da rotina sem paixão,
Das paragens na mesma estação,
Das portas fechadas, 
Donde não se avistam janelas.

Grossas, ácidas,
Desfocam a visão.
Lágrimas gordas,
Sem mistério, 
Sem nascente, nem foz.

Envergonhadas,
Escondem-se sob a carapaça
Dum sorriso hermético,
Que imita a vida.

Secos, os olhos,
Perscrutam a lonjura,
Em busca do verde
Que dá cor à esperança.

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