Deserto; Solidão; Energia; Inteligência; Deus

DESERTOS DE SOLIDÃO

sábado, novembro 01, 2014Teresa Varela



Já falei de Guias, Gurus, Coaches, Psicólogos...
Já falei da Lei da Atração, das X atitudes para alcançar o Sucesso, dos Y passos para alcançar a Felicidade  ou dos Z segredos para atingir a paz espiritual.
Já falei de motivação, reflexão, introspeção, coragem, autoestima, amor, ou atitudes e comportamentos.
Já falei em encruzilhadas e na importância e necessidade de escolher um caminho, tomar uma opção e perceber que sempre que se escolhe algo, se perde algo também.
Já falei em tudo isto por que refleti, investiguei e procurei entender, ou mesmo seguir, muitos dos ensinamentos de todas essas regras de técnicas de vendas ou valorização pessoal, ou das diferentes correntes místicas, espirituais, científicas ou pseudocientíficas.
Mas, hoje, chegou a altura de falar nos desertos de solidão. Esses lugares onde não existem encruzilhadas, para escolher um caminho, onde todas as regras perdem o sentido, por que apenas a especificidade única de cada ser humano irá determinar os seus sentimentos, comportamentos e atitudes.
Os desertos de solidão são aqueles lugares onde, por mais que estejamos acompanhados, estaremos sempre sozinhos. Onde, por mais que nos segurem na mão, teremos sempre medo. Onde, por mais que conheçamos todas as regras, passos ou segredos, nos sentiremos sempre perdidos.
Vivenciam ou vivem nesses desertos de solidão todos aqueles a quem foi diagnosticado um cancro maligno, uma doença incurável e/ou autoimune, ou que, por qualquer tipo de acidente, perderam o uso dos membros ou uma ou mais das capacidades dos seus órgãos dos sentidos.
Ou, ainda, aqueles que veem ser destruído, por qualquer tipo de acidente, intempérie ou por mão humana, o trabalho de toda uma vida. Ou outros que, mau grado todo o seu esforço e dedicação, se veem postos de lado ou afastados da sua profissão ou trabalho.
Também vivem nesses desertos os que são abandonados pelos seus amigos ou familiares. E, ainda, aqueles que, por mais que se esforcem e lutem, por mais que sigam regras, façam cursos, ou se convertam a qualquer religião ou corrente mística, nunca conseguem alcançar os seus objetivos mais importantes, sejam eles afetivos, profissionais ou outros.
Finalmente, existem todos os outros vítimas das guerras, do fanatismo religioso e/ou político, das desigualdades sociais ou de género. Quantos deles crianças que definham e morrem de sede, fome ou doenças perfeitamente curáveis? Quantos deles mulheres apedrejadas ou enforcadas por serem violadas ou se rebelarem contra as leis ditadas pelos homens? Quantos deles são apenas seres humanos torturados, mal tratados ou obrigados a viver em condições violentamente degradantes para qualquer pessoa?
Aqui não há uma encruzilhada, não há um caminho a escolher, não há uma norma ou lei que lhes possa indicar um caminho ou uma forma de alterar a situação. Há somente e apenas a crueza de um facto incontornável e inevitável.
Estes são os seres humanos reais:
  • que vivem horas de terror enquanto venenos lhes escorrem pelas veias, na tentativa de eliminar a origem das suas doenças;
  • que se veem dependentes de outros para realizar as suas necessidades ou atividades mais básicas;
  • que regressam aos seus lares cabisbaixos, irremediavelmente marcados pela destruição ou rejeição;
  • que se veem abandonados nas suas casas, em hospitais ou lares, esquecidos por aqueles a quem mais amaram ou se dedicaram;
  • que tentaram, esforçaram e se dedicaram, mas a quem a vida não deu nem uma primeira, quanto mais uma segunda oportunidade;
  • que se viram envolvidos nas "guerras" do poder, do dinheiro ou da religião, sem que lhes fosse possível tomar qualquer atitude para modificar a situação.
Estes, meus caros amigos/as, são os meus Heróis, os meus Gurus, as minhas fontes de inspiração, os meus mentores de ausência de regras.
Estes são aqueles que, perdidos num imenso e inexpugnável Deserto de Solidão, se agarraram, não a Gurus, não a regras, não a passos, mas à sua imensa resistência física e/ou psíquica, à sua capacidade de enfrentar a dor, à sua esperança e à sua inesgotável Energia.
E, mesmo que muitos deles tenham já perecido, é a sua Força, enquanto sobreviveram, que me prova que existe um Deus, feito de uma Energia e Inteligência imensa, dentro e fora de cada um de nós.

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