Atualidade; Reino Unido; União Europeia; Brexit

A União Europeia e os Fantasmas

terça-feira, junho 28, 2016Teresa Varela


No Reino Unido, o resultado do Referendo ditou a sua saída da União Europeia. Tal resultado não pode, nem deve, ser olhado de ânimo leve, nem deixar de preocupar-nos.
Ainda que as consequências desta saída sejam pouco previsíveis, desde logo, é possível antever problemas na já fragilizada UE, quer ao nível político, quer económica e financeiramente.
Mas, as crises e as situações problemáticas, quais brutais acidentes de viação, fazem as delícias dos media, dos comentadores e observadores e, obviamente, de todos os pseudossábios, que lambem os "bigodes" de satisfação, pois é tempo de usarem os seus dons de adivinhação, ou de pseudoexperts na matéria, quer seja relativamente às causas do "acidente", aos custos dos arranjos das "viaturas", à forma mais eficaz de remover os "destroços" ou  à saúde dos "acidentados". 


Fonte : Office for National Statistics

Diz-se que quem votou leave foram os velhos. Pois, são as sondagens. Pena é que as tais sondagens, no dia anterior ao Referendo, não tivessem conseguido acertar, dando, pelo contrário, a vitória ao remain.


Fonte : Office for National Statistics

Mas, velhos, ou novos, não é o voto, ou seja, a capacidade de os cidadãos escolherem o que pretendem que seja o futuro do seu país, que define e é o principio básico da democracia?
E, analisando os gráficos acima, parece plausível que os resultados do Referendo (votaram 72,16% dos eleitores, 48% dos quais votou pela permanência e 52% votou pela saída) confirmem de facto essa afirmação?

Após o choque inicial, fomos bombardeados com toda a espécie de prognósticos catastróficos, cenários devastadores e fantasmas adormecidos, quiçá, para nos aterrorizar.
  • O Reino Unido vai desintegrar-se, afirmam uns, convictos, ou não, de que a Escócia, de que uma larga maioria só conhece o "folclore" dos homens de saias e o whisky, a Irlanda do Norte, a qual tem passado as últimas décadas em constantes escaramuças com Inglaterra, e o País de Gales, sem grande relevância mediática, irão de facto referendar a sua permanência ou saída do Reino Unido.
Será? Vivemos numa UE profundamente fragilizada pela enorme e recente crise. A Escócia, a Irlanda do Norte e o Pais de Gales encontram-se ligados a Inglaterra por laços e histórias de sangue, nas mais variadas aceções, contudo ligados. Já a sua ligação à Europa tem elementos delimitadores que podemos, simbolicamente, identificar como o Canal da Mancha.

  • É o regresso do nacionalismo à Europa, advertem outros, dando a esse eventual regresso uma conotação profundamente negativa, na tentativa de nos atemorizar com esse fantasma, como se o nacionalismo, em si mesmo, fosse um sinónimo de qualquer coisa maquiavélica e desprestigiante para a humanidade.
O fantasma do nacionalismo, muito usado, acima de tudo, pela esquerda, a progressista, está a assombrar a UE.
Peço-lhes perdão, mas não posso deixar de fazer aqui um parêntesis. - O que "diabo" quer dizer esquerda progressista? O progresso é um privilégio ou invenção da esquerda? Onde está registada essa patente? A criação de novos mitos, utopias e valores sociais/morais contraditórios e que se aniquilam uns aos outros é que é progresso?
A redução das desigualdades, a evolução tecnológica e científica e o bem-estar alcançados pelo Ocidente são "património" da esquerda?
Não haverá aqui uma confusão qualquer? - Fecha parêntesis.
Sou uma cidadã europeia e pró-Europa, mas, antes de tudo, sou portuguesa, pelo que considero de enorme importância que o nosso país mantenha a independência e autodeterminação, bem como as características diferenciadoras que nos definem, ou seja, que a nossa identidade seja preservada, ao nível da agricultura e pescas, da cultura, tradições, religião, história, gastronomia, etc., ainda que sempre num espírito de evolução, crescimento e mudança, até porque a mudança é característica básica da evolução e da vida.
Assim, ainda que se conjuguem vontades e diretrizes para tornar a Europa cada vez mais unida, ao nível económico-financeiro e social, da educação ou da saúde, promovendo, igualmente, a livre circulação de pessoas e bens, considero ingénuo ou mal intencionado o tentar passar a ideia de que o que se pretendia fazer com a Europa, aquando da criação da UE, era transformá-la numa grande potência à semelhança dos EUA ou Rússia.
Pois é, ainda que de grande dimensão e com a diversidade decorrente desta, os EUA e a Rússia, ou mesmo a China são países. O que quer dizer que, em última análise, os seus cidadãos partilham de uma identidade, mentalidade e patriotismo comuns, coisa, obviamente, inaplicável à Europa, a qual é constituída por uma grande quantidade de países, com séculos de história, características diversas e divergências várias que se perdem no tempo e na memória.
E, infelizmente, todos tivemos ocasião de assistir e viver a grande crise económico-financeira mundial, com início em 2007-2008, a qual assolou, de forma particular, a Europa, pois enquanto os EUA encontraram soluções únicas para o país, a Europa debateu-se e continua a debater-se com os problemas inerentes ao facto de ser constituída por um conjunto de países, com capacidades e poderes económicos, financeiros e políticos desiguais.
O que ocasionou que os mais pobres e frágeis, como é o caso de Portugal, a Grécia ou a Espanha, se ressentissem de forma particular e tivessem ficado dependentes das vontades, desejos e maior ou menor boa-vontade dos mais poderosos
Não será, pois, a saída do Reino Unido que irá causar a desagregação da UE, ainda que possa ser uma forte machadada na estrutura da mesma, pois esta já se encontrava numa fase adiantada.
A saída do Reino Unido deveria ser, isso sim, um alerta para que a estrutura desta União seja revista, não tanto em função dos poderes económicos de cada país, mas na constatação de que se os poderes dentro dela forem distribuídos de forma profundamente desigual nunca será possível torná-la numa verdadeira potência, pois nos seus fundamentos, no seu interior e na sua essência não existe verdadeiro equilíbrio.
Na realidade, para que possamos ter uma Europa Unida será necessário que todos façam concessões, se adaptem e cheguem a consensos, mas essas concessões, adaptações e consensos não podem depender, acima de tudo, do poder económico de cada país representado, mas, sim e inequivocamente, deverão ser baseadas nos nossos valores, morais e sociais, comuns e no que for mais integro, melhor e mais adequado ao bem-estar e qualidade de vida de todos e cada um dos cidadãos europeus.

  • O que motivou o voto no leave foi a xenofobia e islamofobia, acusam outros ("inocentemente"....?!!!)
A livre circulação de pessoas dos países da UE não pode, nem deve, prever a invasão da Europa por outros povos, por motivos envoltos em mistério e obscuridade, arquitetada sabe-se lá por quem e com que intuito.
A primeira obrigação de qualquer Nação é defender o bem-estar dos seus cidadãos.
Ainda que possa existir xenofobia ou islamofobia, parece-me que a grande questão se prende com a manutenção da integridade dos diferentes países e o bem-estar dos seus cidadãos.
Devemos ser generosos, mas não devemos conduzir os nossos países à miséria, à descaracterização e à perda da identidade, pois nesse caso, não só deixaremos de nos poder ajudar uns aos outros, como ficaremos profundamente frágeis e expostos, à mercê de quaisquer poderes e interesses, económicos, políticos ou religiosos, sejam eles personificados por grupos ou países, que pretendam espoliar-nos económico-financeiramente ou dominar-nos, descaracterizar-nos ou roubar-nos a identidade.


  • A desvalorização do Euro é outro fantasma aterrador, muito "badalado" nos órgãos de comunicação social.
Mas a desvalorização das moedas não foi, também e desde sempre, uma forma de os países se reequilibrarem durante e após as crises? Será que essa desvalorização traria assim consequências tão graves? Ou, pelo contrário, ela permitiria que os EUA e os grandes grupos económicos a eles associados, por um tempo, relaxassem e deixassem de controlar a Europa violentamente, uma vez que o Dollar, finalmente, voltara a ganhar ascendência?
Quem sabe se a grande crise não teria sido menos violenta se acaso o Euro nunca tivesse ultrapassado o Dollar!!!


  • Desde há alguns dias que os media divulgam, continuamente, atos de xenofobia que ocorrem na Grã Bretanha.
Será que não existiam antes? Será que tais atos são praticados pelos tais 52% dos cidadãos britânicos, ou, pelo contrário, são praticados por pequenos grupos extremistas, na maior parte dos casos, manietados por outros grupos ou pessoas, anónimos e poderosos, com interesses e objetivos obscuros?
A divulgação constante deste atos é inocente e pretende apenas informar ou tem outros objetivos menos claros?

As informações, comentários, opiniões, pós-Referendo, não param.

1. Sejam elas relacionadas com injúrias a imigrantes ou potenciais atentados
2. Sejam elas notícias opiniões ou comentários, associados às mais diversas correntes e ideologias, os quais, muitas vezes, tenho dificuldade de classificar quanto ao seu realismo, objetividade ou honestidade intelectual ou outra, como, por exemplo:
3. Sejam elas relativas ao Parlamento Europeu e às atitudes e palavras dos seus diferentes membros, muitas das quais me espantam, deixam perplexa ou, até,  chocada:

De tudo isto o que se pode concluir? Que ilações tirar? 

O que será que o futuro nos reserva?
Quem mexe os cordelinhos do Mundo e com que intenções?
Vamos ser apenas espetadores ou, pelo contrário, vamos analisar os factos da forma mais objetiva e fundamentada possível e, a partir daí, emitir opiniões construtivas e/ou participar ativamente na construção de um melhor futuro para todos nós?

.../...

Nacionalismo - Segundo Bresser Pereira, o nacionalismo é a ideologia fundamental da terceira fase da história da humanidade, a fase industrial, quando os estados nacionais se tornam a forma de organização político-cultural que substitui o império.

Costuma diferenciar-se do patriotismo devido à sua definição mais estreita. O patriotismo é considerado mais uma manifestação de amor aos símbolos do Estado, como o Hino, a Bandeira, suas instituições ou representantes. Já o nacionalismo apresenta uma definição política sobretudo da preservação da nação enquanto entidade, por vezes na defesa de território delineado por fronteiras terrestres, mas, acima de tudo nos campos linguístico, cultural, etc., contra processos de destruição identitária ou transformação. O historiador Lord Acton, afirma que o patriotismo prende-se com os deveres morais que temos para com a comunidade política, enquanto que o nacionalismo está mais ligado à etnia. - Fonte Wikipédia

União Europeia (UE) - é uma união económica e política de 28 Estados-membros independentes situados principalmente na Europa. A UE tem as suas origens na Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA) e na Comunidade Económica Europeia (CEE), formadas por seis países em 1957. 
Nos anos que se seguiram, o território da UE foi aumentando de dimensão através da adesão de novos Estados-membros, ao mesmo tempo que aumentava a sua esfera de influência através da inclusão de novas competências políticas. O Tratado de Maastricht instituiu a União Europeia com o nome atual em 1993. A última revisão significativa aos princípios constitucionais da UE, o Tratado de Lisboa, entrou em vigor em 2009. 
Bruxelas é a capital de facto da União Europeia.
A UE atua através de um sistema de instituições supranacionais independentes e de decisões intergovernamentais negociadas entre os Estados-membros. As mais importantes instituições da UE são a Comissão Europeia, o Conselho da União Europeia, o Conselho Europeu, o Tribunal de Justiça da União Europeia e o Banco Central Europeu. 
O Parlamento Europeu é eleito a cada cinco anos pelos cidadãos da UE.
A UE instituiu um mercado comum através de um sistema padronizado de leis aplicáveis a todos os Estados-membros. No Espaço Schengen (que inclui 22 estados-membros e 4 estados não membros da UE) foram abolidos os controlos de passaporte. 
As políticas da UE têm por objetivo assegurar a livre circulação de pessoas, bens, serviços e capitais, legislar assuntos comuns na justiça e manter políticas comuns de comércio, agricultura, pesca e desenvolvimento regional.
A Zona Euro, a união monetária, foi criada em 1999 e é atualmente composta por 18 Estados-membros. 
Através da Política Externa e de Segurança Comum, a UE exerce um papel nas relações externas e de defesa. A UE tem em todo o mundo missões diplomáticas permanentes, estando representada nas Nações Unidas, na Organização Mundial do Comércio (OMC), no G8 e no G-20.
Com uma população total de mais de 500 milhões de pessoas, o que representa 7,3% da população mundial, a UE gerou um produto interno bruto (PIB) de 12,2 mil milhões * de euros em 2010, o que representa cerca de 20% do PIB global, medido em termos de paridade do poder de compra. - Fonte Wikipédia

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1 comentários

  1. Olá, Teresa. Um texto brilhante.
    Não me sinto apta a comentá-lo, pois sei pouco sobre este assunto, mas também acho, apesar da minha pouca sabedoria, que as pessoas estão exagerando bastante. A Inglaterra não vai deixar de ser a Inglaterra por sair, assim como não deixou de ser quando entrou.
    Adorei o que disse sobre a tal "Esquerda progressista."

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