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Do Jogo da Bola ao Futebol - Euro 2016 -

quarta-feira, julho 06, 2016Teresa Varela


As raízes do futebol perdem-se nos séculos, nos milénios e na história.

Até há quem diga que os homens pré-históricos já praticavam uma atividade semelhante, com propósitos recreativos, ainda que não haja fundamentos científicos que confirmem tal afirmação.

Há registos de jogos com bola em quase todo o mundo. Na China o jogo da bola está documentado a partir de 2697 A.C.. Este jogo também era praticado entre maias e astecas e gregos e romanos. Mais tarde, no séc. XIX, Inglaterra  regulamentou o jogo.


Segundo o Departamento alemão de Patentes (DPMA), é quase impossível responder quando aconteceu o "primeiro jogo de futebol", ou seja, jogar à bola com uma parte do corpo que não seja as mãos. 
As pesquisas do DPMA abrangem um período de tempo de quase cinco mil anos, ou seja, desde cerca de 3000 a.C. até fins do século XIX.

"1. O Futebol na Antiguidade

Os escritores chineses Tao-tse e Yang-tse fazem referência a outro tipo de jogo de bola, que teria sido praticado na China, cerca de 26 séculos antes da nossa era. Esse jogo – cuja invenção muitos autores atribuem ao próprio Yang-tse – chamava-se Tsu-chu (golpear a bola com o pé) e começou como parte do treinamento militar da guarda do imperador.
O Tsu-chu era bastante simples, oito jogadores, sem poderem deixar a bola tocar no solo, tentavam passá-la além dos limites demarcados, por duas estacas fincadas no chão e ligadas por um fio de seda, a bola era de couro, o campo era quadrado com 14 metros de lado.
No Japão com o nome de Kemari. Este, embora inspirado no jogo dos chineses, possuía características próprias. Não se contavam pontos sendo como único objetivo do jogo apurar a técnica de dominar a bola com os pés. O kemari era um passatempo da realeza. Consta que os imperadores En-ji e Ten-ji estavam entre os seus praticantes.

1.2 América pré-colombiana

Outros achados arqueológicos, atestam que, em vários pontos da América pré-colombiana, à mesma época que os chineses e japoneses se entregavam ao seu futebol, os nativos também se dedicavam aos jogos de bola. O historiador espanhol Herrera y Tordesillas menciona “uma bola de borracha extraída das árvores”, que os índios jogavam no Haiti, quando lá chegou Cristóvão Colombo.
Acredita o historiador Jean Le Floc’hmoan que tenham sido os sul-americanos os primeiros a fabricar bolas de resina com fins lucrativos.
Embora cronistas mencionem “meninos maias e astecas, impulsionando com os pés, esferas de látex”, todos esses jogos eram, basicamente disputado com as mãos, guardando portanto, pouca semelhança com esportes que, como os do oriente, são considerados precursores do futebol.

1.3 Na Europa

Na antiguidade, vão ser encontrados nos grupos de jogos de bola a que os gregos deram o nome genérico de Sphairomakhia. Nos 12 séculos de existência dos antigos jogos olímpicos, esportes com bola jamais foram incluídos nos programas oficiais. No entanto, eram muito populares, especialmente um denominado epyskiros, jogado com o pé. Pouco se sabe de suas regras, ou mesmo do número de componentes de cada equipe, mas Júlio Pólux, cita uma linha de meta localizada no fundo de cada lado do campo, através da qual a bola deveria ser arremessada, contando-se com isso um ponto.
É quase certo que os romanos tenham copiado os gregos ao criarem, séculos depois, o harsparum. Sobre esse jogo – disputado com os pés, utilizando-se uma bexiga de boi como bola.(...)

2 – O Futebol na Idade Média e Renascença

Durante toda a Idade Média, e por muitos séculos depois, realizou-se na cidade de Ashbourne, Inglaterra, um jogo de bola que pode ser considerado o mais importante precursor do futebol moderno. Tal jogo era disputado anualmente, nas Shrove Tuesdays, (espécie de terças-feiras gordas), entre os habitantes da cidade: um número ilimitado de participantes, às vezes de 400 a 500 de cada lado, corria atrás de uma bola de couro fabricada pelo sapateiro local, com o objetivo de alcançá-la, dominá-la e finalmente levá-la até a meta adversária, no caso as portas norte e sul da cidade, uma para cada equipe.
As origens do jogo de Ashbourne – mais tarde praticado em outros pontos do condado de Derbvshire também são discutidas, um cronista da época, afirma que se tratava de uma comemoração anual da vitória dos bretães sobre os romanos, numa partida de harspatum, efetuada no ano de 217.
O futebol conhecido em Derbvshire, durante a idade média, era um jogo primitivo, violento, semi-bárbaro e, por tudo isto, mal visto. A não ser pelas partidas de caráter cívico. (...)

3 – Os Séculos de Transição do Futebol

Diante das proibições, o futebol passou por sucessivas modificações na Inglaterra, civilizando-se a partir do séc. XVII. Antes disso era jogado nos pátios das igrejas, ou em campos afastados onde se podia burlar a lei, sua sobrevivência foi difícil.
No início do séc. XVII, quando Jaime VI da Escócia subiu ao trono da Inglaterra como Jaime I, a proibição ainda existia, mas já não era levada tão a sério.
Assim, afastado ou mesmo combatido pela nobreza, mas já contando com alguma tolerância das autoridades, o futebol, pouco a pouco, foi-se transformando. Todo o séc. XVII vai ser marcado por novas aberturas ao futebol, o visconde de Dorchester, já recebia um convite de John Chamberlain para assistir a um jogo em Florença: em 1613, o vigário de Wiltshire organiza duas equipes para se exibirem numa visita real em 1620, o futebol é introduzido em dois colégios de Cambridge, o St. John’s e o Trinity.
Carlos II torna-se o primeiro rei inglês a autorizar a prática do futebol, permitindo que seus criados enfrentassem, numa partida, os do duque de Albuquerque.(...)

4 – O Futebol Moderno

Os historiadores são unânimes em fixar a data de 26 de outubro de 1863 como a do nascimento do futebol moderno. O facto de existirem várias regras em vigor em Londres e outras cidades inglesas, dificultando a realização de jogos e torneios entre clubes e colégios, impunha a criação de um organismo que, centralizando esses clubes e colégios, pudesse uniformizar as regras. Alguns veteranos de Cambridge, apoiados pelo jornalista John D. Cartwright, que escreveu uma série de artigos nesse sentido, iniciaram campanha para que os interessados se reunissem e debatessem a criação do novo organismo, o que ocorreu a 26 de outubro.

Os próprios ingleses se encarregam de universalizar o futebol, levando-o, depois de difundi-lo por todo o Reino Unido, a países bem mais distantes. Por volta de 1865, um grupo de emigrantes ingleses já havia fundado em Buenos Aires o Football Club, na Argentina, sendo este um dos primeiros países a conhecer o desporto fora do Reino Unido. No início da década de 1870, foram ainda os ingleses que introduziram o futebol na Alemanha e em Portugal. (...)" Ler mais em História do Futebol - Cola da Web

Escrever acerca de desporto foi algo que nunca imaginei vir a fazer, pois não é tema, nem prática que me interesse, de forma particular, com exceção da equitação. E, ser o futebol a modalidade em causa ainda me parceria menos plausível, pois a esta encontram-se associadas, não raras vezes, a violência, atividades financeiras ou manobras políticas menos claras que, no mínimo, nos induzem à reflexão, para além do alheamento, da vida e do mundo, que parece causar a milhares de pessoas.
Contudo, nunca devemos dizer nunca, pois há sempre um dia em que o "nunca" pode deixar de ser verdade.
A razão de ser desta crónica prende-se com três motivos principais, o Europeu 2016, em que Portugal já foi apurado para as meias-finais; um incidente ocorrido com Cristiano Ronaldo, Capitão da Seleção Portuguesa, e um microfone "assassinado por afogamento", num lago francês, o qual era propriedade do conhecido jornal português Correio da Manhã; e, finalmente, pela participação exemplar, mesmo emocionante da equipa da Islândia.

O Europeu
Ainda que não me interesse por futebol e pouco perceba acerca do assunto, por instinto ou emoção patriótica, acabo sempre por torcer por Portugal quando este participa no Europeu ou no Mundial, pelo menos desde 2004, quando o Europeu foi no meu país e a nossa Seleção chegou à final, vindo depois a perder para a Grécia. 
Na altura, dei graças a Deus por não gostar de futebol, pois se a ansiedade e nervos que senti eram tantos, mesmo sem gostar deste desporto, como me sentiria se de facto gostasse e "sofresse", anos a fio, cada vez que jogasse a Equipa de que fosse adepta!!!
Agora, estamos de novo nas meias-finais e de novo o nervoso e o desejo de que a nossa Equipa ganhe se instala.

Cristiano Ronaldo e o Correio da Manhã
Cristiano Ronaldo, para além de ser o Capitão da Seleção Portuguesa, foi sagrado, já por três vezes, como o melhor jogador do Mundo.
A sua história de menino pobre, nascido na ilha da Madeira, que veio para o Continente, sozinho, para cumprir um sonho e acabou por se tornar um dos melhores jogadores do mundo, pode suscitar nas pessoas grande interesse, curiosidade, paixão, ódio, amor ou inveja, ou tudo isso em simultâneo. 
Afinal, ganhar milhões, ser (re)conhecido internacionalmente, ser jovem, bonito, lutador, pouco culto e, de acordo com as muitas informações divulgadas pelos media, bastante generoso, particularmente com os doentes e crianças, são motivos mais do que suficientes para o colocar sob o escrutínio do público, o qual exige dele, não só uma atuação desportiva exemplar contínua, como comportamentos adequados à sua condição de VIP, em função das suas perspetivas particulares,  e, consequentemente, torna-se um alvo apetecível para os media, particularmente para a imprensa sensacionalista. 
O mais insignificante acontecimento, o mínimo deslize ou falha ou mesmo qualquer situação do quotidiano, já para não falar em acontecimentos minimamente fora do comum, passam a ser motivos, mais do que suficientes, para que corram mares de tinta e se disseque e critique toda a vida do desportista. 
As "desavenças" entre o Ronaldo e o Correio da Manhã já vêm de longa data, pois este jornal, conhecido como sensacionalista, pródigo na divulgação de escândalos, crimes e mexericos, não o poupa e revela e empola todos os factos relacionados com o desportista, quer estes sejam, ou não, do âmbito do desporto, não havendo tema limite ou tabu, seja ele relacionado com a sua vida profissional, social, familiar ou mesmo do foro particular ou íntimo.  
Li algures, há poucos dias, a definição que melhor lhe assenta "uma espécie de simbiose entre os jornais O Diabo e o "falecido" O Crime", aos quais eu acrescentaria a revista Maria  ou similar, para dar o toque final. 
Ainda assim, honra seja feita ao Correio da Manhã (que normalmente não leio) pelo facto de a maioria dos seus jornalistas saberem, de facto, escrever português (coisa que não pode ser dita de parte da imprensa que por aí polula) e, também, por, de vez em quando, fazer algum bom jornalismo de investigação.
Esta "forma de ser", do Correio da Manhã, já lhe valeu uma série de processos e, certamente, alguns dissabores, mas o jornal mantém-se fiel à sua linha sensacionalista, talvez porque esta lhe proporciona os dividendos que de outra forma não alcançaria. 
Ronaldo atirou para o lago o microfone do CMTV, quando o jornalista se lhe dirigiu, para o inquirir se se sentia preparado para o próximo jogo. 
Muitas vozes se levantaram de imediato criticando-o e apelindando-o de arrogante, ou outros adjetivos igualmente "simpáticos", ao mesmo tempo que tentavam passar a ideia de que o desportista, afinal, não é tão bom como para aí o pintam, ou defendendo-o e partilhando as diversas ações e atitudes humanitárias de Ronaldo.
Logicamente, até para mim que não sou ligada ao futebol e aos seus "heróis", era evidente que, a não ser que tivesse sido atacado de loucura súbita, o comportamento do Ronaldo tinha que ter um motivo.  
Assim, procurei informar-me de qual teria sido a causa de semelhante comportamento. De alguma forma, os motivos que encontrei pareceram-me justificação mais do que suficiente para a sua atitude. Evidentemente que Cristiano Ronaldo, CR7, sabe que, como figura pública que é, terá sempre que olhar com relativa indiferença as muitas informações divulgadas a seu respeito. Mas, como é óbvio, há limites para tudo e a liberdade de imprensa nunca deveria pôr em causa o direito à privacidade de qualquer cidadão ou ser humano, a não ser em situações limite, como as de crimes e mesmo essas deverão ser analisadas caso a caso, dependendo da relevância que tais revelações possam ter para o caso em apreço. 
Como todos podemos constatar, diariamente, raramente os media respeitam esses limites, pelo que quando as pessoas reagem mal, por considerarem que a sua dignidade ou privacidade, ou dos seus familiares, foi posta em causa, terão que se reduzir à sua insignificância e comer e calar. 

A Islândia
A Islândia que, verdadeiramente, nunca participou no Europeu, teve uma prestação muito boa, segundo os critérios dos entendidos em futebol, mas, acima de tudo, foi extraordinariamente digna, manifestando uma união, e respeito que raramente vemos no futebol e nos seus adeptos.
O povo Islandês aplaudiu e acarinhou a sua Seleção até à derrota e, de forma particular, após a sua derrota.
Na verdade, chegarem onde chegaram foi uma manifestação de qualidade, responsabilidade, mérito e esforço, além de espírito desportivo. 
E esse foi o aplauso, sentido e emocional, do povo islandês que tornou patente, a todos nós, quanto é unido esse povo.
A participação da Islândia foi uma Vitória, o comportamento dos adeptos e do povo islandês foi igualmente uma Vitória... A Vitória do respeito e da união, um exemplo para todos nós, com o qual muito poderemos aprender.
Celebro, pois, a participação da Islândia com o grito dos Vikings 





Meias-finais
MF1: Portugal - Gales/Quarta-feira, 6 de Julho, 20h00 (Lyon)
MF2: França - Alemanha/ Quinta-feira, 7 de Julho, 20h00 (Marselha)

Final
Vencedor MF1 - Vencedor MF22, Domingo, 10 de Julho, 20h00 (Saint-Denis)


Hoje, daqui a poucas horas, a Seleção Portuguesa irá jogar contra o Pais de Gales, nas meias-finais.
O meu coração pede a sua vitória, mas, se pensar melhor, aquilo que deveríamos desejar é que todos eles, portugueses e galeses, joguem o melhor que podem e sabem, por forma a enobrecer o desporto e a proporcionar-nos um espetáculo de grande qualidade, a qual manifestará o respeito que sentem pelos seus adeptos e pelo povo a que pertencem

Sinceramente? Espero que a Seleção Portuguesa ganhe.

Mas, celebrarei, igualmente, se saírem derrotados, pois o esforço, o empenho, a qualidade que, estou certa, irão demonstrar, será sempre uma Vitória.


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