Burquíni; Islão; Xenofobia; Lei; Agressões

"Ele há coisas levadas da breca"

quinta-feira, agosto 25, 2016Teresa Varela

Mulher vestida com Burquíni

Para além da maldade e da estupidez humana, há uma outra coisa com qual lido muito mal e essa coisa é a incoerência. 

Vem isto a propósito das praias e polícias franceses e dos burquínis.

É que, assim que apareceu a notícia de que uma mulher islâmica tinha sido obrigada a "despir-se", numa praia de Nice, não faltaram, logo, os supostos defensores da liberdade, a insurgirem-se ferozmente contra semelhante malvadez e atraso civilizacional.
Vamos ver se consigo entender!!!
Então vamos lá ver, meus amigos, vocês não são defensores da igualdade de direitos dos homens e das mulheres?
São? Ah, "tá bem"
Mas, também são defensores do direito à diferença?
São? Ok.
E o direito à vida, também defendem?
Bem, sim ou não? Ah, é complicado, já percebi.
Pois, então, está aí a explicação!
Podemos morrer todos, que isso não tem problema, desde que cada um possa vestir-se e cobrir-se como quiser. Ainda que esse cobrir-se seja originado por uma intolerável e violenta desigualdade de géneros. Tão violenta que até é legal e moral e religiosamente correto matar mulheres à pedrada, nesses lugares de onde são provenientes as mulheres de cara tapada.
Entendi perfeitamente!!!!!!!!
É-me indiferente que as mulheres muçulmanas usem burquínis, biquínis, monoquínis ou qualquer outra coisa acabada em inis. (No caso presente, parece mesmo que esta mulher não devia estar a usar nenhum burquíni, pois os burquínis não têm véus e não me parece que as mulheres que são obrigadas a usar véu tenham direito a usar burquínis).
O que não me é de todo indiferente, seguramente, é o lugar que a mulher ocupa nas sociedades muçulmanas, nem o facto de que se eu for, corrijo, se eu fosse ao Irão ou à Arábia Saudita, teria que andar de véu na cara.
Não tenho nada a ver com as crenças religiosas de cada um, por mais idiotas ou estúpidas que me possam parecer, mas tenho a ver com desigualdades e leis e imposições injustas, discriminatórias e mesmo criminosas. 
Da mesma forma, não me interessa o que as mulheres muçulmanas levam vestido para a praia, desde que lhes possa ver a cara. Mas, mais do que na praia, não quero estar num aeroporto ou entrar num avião ou comboio, ou em qualquer outro lugar público, se estiverem lá pessoas de cara tapada.
E não quero porquê? Não quero por que pessoas de cara tapada não são identificáveis, nem mesmo ao nível do género, e, por enquanto, nem nos meios de transporte, nem em quaisquer outros lugares públicos se fazem identificações de pessoas através da retina.
O número de atentados terroristas, que têm ocorrido nos últimos anos, provocados por pessoas de cara tapada ou defensoras de que as mulheres usem as caras tapadas, não nos devem deixar indiferentes, nem nos devem permitir que negligenciemos a segurança. 
Uma das formas de evitar problemas é evitar contribuir para os criar e, sinceramente, permitir que pessoas de cara tapada circulem livremente ao nosso lado é, só por si, estar a desafiar a sorte.
Obviamente, os muçulmanos não são todos psicopatas, terroristas e criminosos e os atentados não têm sido perpetrados maioritariamente por pessoas de cara tapada. Mas, mesmo assim, podermos reconhecer alguém pelo rosto continua a ser uma boa medida de segurança. 
A grande maioria dos islâmicos são pessoas tão normais e tão boas ou tão más quanto qualquer um de nós, apenas com uma religião e tradições diferentes. 
No entanto, grande parte delas tem estado a ser utilizada para desequilibrar o frágil equilíbrio do mundo Ocidental e, como é evidente, no caso de terem que tomar um partido, vão escolher aqueles que lhe são mais próximos e com quem têm maiores afinidades.
Parece que o polícia francês terá sido demasiado zeloso ao tentar fazer cumprir a lei. Dizem que o polícia mandou a mulher despir-se, por estar de burquíni, mas, sinceramente, acho que esta cena é mesmo de imprensa cor-de-rosa. Seja como for, tudo isto não passa de exagero, alarido e pura especulação, para pôr a imprensa e as redes sociais a fervilhar.
Mas, claro, o pessoal, supostamente defensor das liberdades, veio logo a correr defender a senhora desta "violenta agressão". Pena é que não a tenha tentado defender, a ela e a todo as as mulheres islâmicas que vivem ou são originárias de países islâmicos fundamentalistas, como o Irão e a Arábia Saudita, de ser obrigada a usar burka ou de tentar impedir que morra por apedrejamento, caso lhe passe pela cabeça envolver-se com outro homem que não seja o marido, ou mesmo se tiver a desfaçatez de fazer essa enorme afronta à humanidade de ser violada por um qualquer psicopata.
Aproveito para falar de outro assunto que, até à data, não tinha comentado. O "ataque" dos filhos do Embaixador Iraquiano a um adolescente de Ponte Sor.
Por que não comentei? Pela simples razão de que não conheço os factos.
É uma tristeza o que aconteceu ao Rúben Cavaco, o adolescente agredido, mas efetivamente não me parece que haja "inocentes" nesta história. 
Os filhos do Embaixador não são terroristas. O Rúben Cavaco não estava inocentemente no seu canto, quando, subitamente e sem qualquer motivo, foi agredido.
Sei o que são ou em que se podem transformar os grupos, particularmente os de jovens, especialmente sob a influência do álcool ou outros psicotrópicos. 
Sei até onde pode levar o clubismo, o bairrismo, a intolerância, a xenofobia e o querer ser o "galo da capoeira".
São acontecimentos extraordinariamente lamentáveis e tristes, mas sobre os quais não devemos emitir opiniões, pois desconhecemos a maior parte dos factos.


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2 comentários

  1. Ouvi dizer que a coisa na Europa está complicada...
    Acredito que cada país tem suas leis e suas regras, e quem estiver no país do ouitro, precisa respeitá-las. Mulheres ocidentais de cabeça descoberta entre os Muçulmanos em seu país também sofrem represálias e são vítimas de preconceito, podendo acontecer até coisas piores...
    Quando em Roma, melhor agir como os romanos.

    ResponderEliminar
  2. Vivo num país muçulmano no Magreb há 10 anos. Existem mulheres de niqab (cara tapada), com lenço e sem lenço. A Burka é do Afeganistão. Não consta, neste país, que as mulheres sejam obrigadas a usar o niqab ou até o lenço. Sobre o uso do lenço existe, sim, uma pressão da sociedade (vizinho) e da mentalidade existente nalgumas regiões do país. Ou seja, é a própria população que sendo manipulada pelo que dizem os teóricos da religião e da interpretação do Alcorão, tenta agir em conformidade, julgando que assim são melhores muçulmanos. Existem familias, por exe. com 3 filhas, a mãe e uma das filhas usam lenço e as outras 2 não usam. Portanto existe liberdade de escolha.Todas as religiões são iguais e todas manipulam os seus crentes. Eu, português há muitos anos, ainda me lembro que quem não ia à missa era considerado um comunista (diabo, vermelho, é tudo o mesmo para os religiosos).
    Os muçulmanos do Irão são xiitas e os da Arábia Saudita nem os consideram muçulmanos…
    No Magreb são sunitas e do rito Malakita. Portanto o mundo dos muçulmanos é vasto, e agora pergunto eu, porque é que tantas pessoas metem tudo e todos no mesmo saco? Devido à falta de informação, digo eu.
    Os jornais e TV do mundo ocidental fazem uma amálgama, misturando cobras e lagartos para tentarem impingir que é tudo igual e portanto é tudo para proibir ou combater. Mas não é. Estes “média” deveriam explicar às suas populações que muitos desses extremistas são apoiados pelos seus próprios governos (incluindo Portugal). Lembram-se do Sr. Barroso, Bush, Asnar e Blair, que decretaram guerra ao Iraque numa reunião nos Açores? Pois é, foi a partir dessa altura que começou o chamado terrorismo islamita.
    Nota: No Magreb o termo Islamita, significa extremista.
    Portanto, existe uma grande diferença entre as várias interpretações possíveis do Alcorão como aliás da Bíblia. Quantos católicos sabem que a Bíblia proíbe a carne de porco? Quantos cumprem?
    A título de curiosidade, Ataturk, o grande líder Turco, confrontado com tradições seculares e adepto do Estado laico fez uma lei que dizia: as mulheres podem vestir-se como quiserem, no entanto as prostitutas têm que andar todas tapadas!
    Como reagiram as outras mulheres? É fácil de perceber.
    PS.: sobre as proibições do Burkini é uma estupidez tremenda. Só se pode exigir que mostrem a cara, nada mais.


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