Sociedade; Justiça; Violência; Impunidade; Ganância

La gran "broma" - Num mundo de jovens e adultos - Ou as muitas Faces da Verdade

segunda-feira, abril 10, 2017Teresa Varela

Vivemos na Selva?

Nunca tínhamos visto "nada igual", diz hotel de onde mil finalistas portugueses foram expulsos
No passado sábado, acordámos com a bombástica notícia, em tudo o que é jornal ou canal de TV ou Rádio, de que 1000 jovens portugueses, finalistas do ensino secundário, tinham sido expulsos de uma unidade hoteleira, em Benalmadena, em virtude do seu comportamento desordeiro e por terem causado estragos de monta na referida unidade.
Quem educou os pais destes jovens? E os pais dos pais? Não foram seguramente extraterrestres.

Desde há muito, neste e noutros blogs e em muitos outros locais e situações, não me tenho cansado de "pregar aos peixes", acerca da contínua e crescente perda de valores humanos, sociais, éticos educacionais e morais, nas sociedades ocidentais:
- Acerca do culto do Eu e dos infinitos direitos de cada um de nós, esquecendo, convenientemente, os deveres e sem quaisquer contemplações pelos direitos dos outros, não importa quem sejam esses outros, filhos, nascidos ou por nascer, pais, professores, subordinados, chefes, patrões, vizinhos, etc. etc.
- Acerca de corrupção e impunidade;
- Acerca de excesso de permissividade generalizada;
- Acerca de falta de regras, coerência e firmeza;
- Acerca dos órfãos de pais vivos, referindo-me àquelas crianças e jovens cujos pais não querem ou não sabem educar, responsabilizar ou transmitir valores;

- Acerca das Escolas e dos métodos obsoletos nelas utilizados, os quais não se encontram minimamente adequados às circunstâncias da sociedade atual.

-.....


Hoje em dia, é normal ver criancinhas aos gritos e guinchos nos supermercados e restaurantes, perante a indiferença ou impotência dos pais, e mesmo ver pais a levarem valentes sopapos dos filhos,
São recorrentes as queixas dos professores de que cada vez é mais difícil dar aulas, em virtude do comportamento desordeiro e violento dos alunos e também pelo facto de os pais parecerem considerar normal que eles se comportem desse modo. Não sendo incomum que os alunos e  os próprios progenitores agridam física e verbalmente os professores, pelo facto de  não passarem de ano, ou de lhes ser dado qualquer tipo de castigo.



Mas, há sempre um mas. E neste caso há mais do que um. 

Duvido que o comportamento descrito nas notícias tenha sido comum a 1000, a 500 ou até mesmo a 250 jovens.

Mantendo o que escrevi acima, venho colocar, no entanto, as seguintes questões:

1. Trabalho há 9 anos diretamente com uma população de cerca de 5000 (cinco mil) jovens, que, em parte, se renova anualmente. Salvo raríssimas exceções não tenho qualquer razão de queixa da falta de educação destes jovens;

2. Que eu saiba, desde que o mundo é mundo, os jovens fazem disparates. Se os adultos de agora, com 50 ou mais anos, não se lembram do que fizeram, aconselho vivamente a que refresquem as memórias;

3. Agora, pergunto, quem é que se lembra de juntar 1000 jovens numa única unidade hoteleira, sem qualquer tipo de supervisão ou controlo e, ainda por cima, oferecendo-lhes bar aberto?
Parece que alguém se lembrou. A agência de viagens que fez as reservas e a unidade hoteleira que as aceitou. São todos ingénuos?
4. Finalmente, se o comportamento destes alunos foi tão horrível, por que razão não os mandaram logo embora ao 2º ou 3º dia?

Já ouvi não sei quantas versões dos factos e dos estragos causados pelos alunos. Umas paredes riscadas. Uma televisão na banheira. Uns colchões no relvado, uns candeeiros partidos. 
Bem, 1000 jovens completamente destrambelhados e sem educação nenhuma e os estragos são só esses? 
Ou será que a maior parte desses 1000 jovens teve um comportamento completamente normal e apenas pequenos grupos tiveram comportamentos estúpidos?
Hoje, o hotel vai dar uma conferência de imprensa. Espero bem que mostrem os estragos, para que se possa avaliar a sua dimensão.
Quanto ao álcool e às drogas. 
Bem, o álcool eles também o bebem cá. Mas, também não são só eles, os jovens, que apanham valentes bebedeiras, ou são?
Relativamente a drogas, não as querem despenalizar, pelos menos as leves (Ainda que eu não saiba muito bem o que é isso de drogas leves ou pesadas. Só conheço drogas que alteram o funcionamento do cérebro e umas destroem-no mais e mais rapidamente do que outras.)?
Agora, seria bom que primeiro tivéssemos conhecimento de todos os factos, antes de crucificarmos 1000 jovens, até porque estes jovens todos são filhos, netos e bisnetos de alguém, ou seja, são o resultado da sociedade que nós todos construímos e de que fazemos parte. 
Garantidamente, estes jovens não nasceram de geração espontânea e garantidamente não são eles os criadores dos males da sociedade em que vivemos.
Mas, agora e só por um momento, vejamos as coisas noutra perspetiva.


Até ao momento, não apareceu nenhuma fotografia dos alegados estragos que os jovens fizeram no hotel. 
Bem pelo contrario, o que vimos foi uma enorme quantidade de fotografias mostrando como o hotel é bonito, simpático e agradável. 
Os funcionários do hotel, quando entrevistados, falaram em barulho e nada mais. Os jovens mantiveram-se no hotel até ao último dia contratado. Uns tinham marcado 5 dias outros 6 e isso foi exatamente o que aconteceu. 
O alarme só foi dado no dia da saída deles.
Afinal, a quem aproveitou isto tudo? 
O hotel recebeu e ficou com as cauções de 50 euros, de 1000 alunos, quer estes tenham ou não destruído propriedade.
Por outro lado, durante estes dias os jornais que publicam estas noticias têm recebido milhões de cliques e, no novo mundo virtual ,em que vivemos, o que conta, é importante e dá dinheiro são os cliques .
Finalmente, que grande campanha publicitária a um hotel sem praticamente gastar um tostão!!!
Antes de julgarmos e darmos por encerrado este caso talvez não fosse mau refletirmos um pouco. 
É que, isto, as coisas nem sempre são o que parecem e quem tem olho para o negócio pode aproveitar a mais pequena coisa, feita por uma pequena minoria, para lucrar com isso ou se auto-promover. 
Pensar não faz mal a ninguém. Mas julgar os outros sem provas, só pelo diz que diz, pode ser grave e injusto, e eu escolho pensar.
Eu escolho não partir do princípio, à partida, de que todos os jovens são maus e de que todos os donos de hotéis e jornalistas são bons. 
São coisas minhas, não gosto de julgar, muito menos sem provas claras.
Se vivêssemos agora no tempo de Cristo, estes 1000 jovens já tinham sido eles crucificados, elas apedrejadas até à morte e os pais atirados aos leões.

Será que os adultos têm todos uma atitude exemplar?
Será que todos os professores são dedicados e olham os seus alunos de igual modo, quer sejam muito ou pouco inteligentes, quer sejam provenientes de meios sócio-culturais elevados ou médios, ou de bairros pobres e/ou degradados?
Será que os tratam com respeito e educação? Ou será que os olham com desprezo, sem esperar nada de positivo deles?
E os funcionários das escolas, será que todos tratam os alunos com gentileza, ou, normalmente, dirigem-se a eles de forma agressiva e desabrida?
Será que todos nós já nos encontramos verdadeiramente adaptados ao novo mundo da globalização e do virtual, repleto de novos e complexos paradigmas e problemas, causados, em grande parte, pela enorme miscigenação e multiculturalidade existente em todos os países?

E só para termos uma ideia de como vai o mundo dos adultos e da justiça, restringido-me apenas ao nosso país, relembro alguns casos recentes.


Pergunto eu, 5 anos de prisão para um casal de adultos que maltratou de forma continuada uma criança, ao longo de cinco anos, é uma pena exemplar?
Que espécie de justiça é esta e que penas são estas?

Face Oculta - Alguém me explicará por que razão Manuel Godinho terá que cumprir 15 anos de prisão, por que foi o instigador, mas o qual só tinha responsabilidades perante a sua empresa e a lei portuguesa, e Armando Vara, com responsabilidade políticas e sociais, perante todos nós, só apanha 5 anos?
Que espécie de justiça é esta e que penas são estas?


Por que razão Dias Loureiro não foi acusado no caso BPN?
Arquivado, mas suspeito?
Que espécie de justiça é esta e que penas, ou não penas, são estas?



Relatório anual da APAV contabiliza ainda uma média de 19 agressões por semana contra idosos e 16 por semana contra homens. No caso das mulheres, que perfazem 82% das vítimas, dá uma média de 100 vítimas por semana.



Que espécie de mundo é este? Que espécie de mensagem estamos a transmitir às nossas crianças e  jovens?
Quem são, afinal, os responsáveis pelo que se passa no mundo? São os que a ele chegaram recentemente, crianças e jovens, ou serão os adultos?


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